segunda-feira, agosto 17, 2009

MTV Unplugged, Alicia Keys

São já bem famosas, estas sessões em modo Unplugged da MTV (ou em português, “desligado”, ou “desligadas”, para fazer concordância no género...) e desta feita estive a ouvir a sessão da senhora Alicia Keys, cantora a que não prestava muita atenção, mas sobre quem fiquei com melhor impressão.

Ela toca piano, produz e ainda canta deliciosamente.


Este concerto, ou apresentação, decorreu na Brooklin Academy Of Music e beneficia de uma boa prestação da cantora e de alguns convidados especiais, entre eles Mos Def, Damian Marley, ou Adam Levine, dos Maroon 5.


Eu gosto sobretudo do ambiente festivo que se gera nestas apresentações da MTV, porque fico sempre com a impressão que há grande descontracção e ligeireza, como se tratasse de um encontro entre amigos, para tocarem, para apreciarem o talento uns dos outros.


No caso deste, tudo parece andar em roda do R&B primitivo e nada daquelas tretas que circulam no canais de música da moda, que mostram uma pop assente no R&B e no hip-hop. Neste trabalho, Alicia rege-se pelo Blues, R&B e Soul, bem imprensa no espírito quase messiânico a lembrar aqueles pastores das igrejas de negros, que mostram uma riqueza de alegria e boa disposição, que se demarca bem da igreja tradicional; pesada e triste, represiva.


E é aí que se une a Soul e o Blues, num swing descomplexado e feliz porque poder existir.

É um álbum excelente para ouvir em várias ocasiões – quer seja um jantar entre amigos, um final de tarde de Verão em casa, até a trabalhar, ou num bar, de copo em punho.

É um trabalho muito interessante, que partilho, com selo Youtube.

domingo, agosto 16, 2009

Concertos vistos há anos atrás

Hoje, não sei porquê, insisto em relembrar alguns concertos a que já fui e ocorre-me documentar aqui, mesmo que sem muitos elementos, porque memória esquece.

Um dos primeiros concertos a que me lembro de ir foi precisamente na minha escola secundária, (onde ingressei com 15 ou 16 anos) e estava enquadrado num projecto de área escola que a minha turma desenvolveu. Graffitti num mural da escola e um concerto no espaço do bar da escola. Tocaram duas bandas, uma das quais não me recordo o nome, e a outra acho que nunca chegou a ter um só nome, porque acabava por ter muitos. A primeira era a de um rapaz da escola (o resto da formação não era de lá) e a segunda banda era composta por colegas da minha turma mais o irmão de um deles. Conscientemente, ou não, eram uma cópia dos Nirvana, tocando esencialmente reportório destes, alinhados com a onda grunje, de casacos de malha e ténis All-Star.

Curiosamente encontrei o vocalista/guitarrista, o Ricardo, há pouco tempo, no Chiado.

Do concerto propriamente dito lembro pouco; recordo que o vocalista da primeira banda rebentou o nariz todo, tal a fúria com que atacava o microfone e lembro também que por altura da segunda banda já o ar estava irrespirável, porque o espaço tinha gente a mais que o previsto. Os professores começavam a ficar preocupados com a agitação e agressividade que se gerava junto ao palco, com o rock que era debitado, a roçar um pouco a insanidade e a fraca resposta dos materiais às exigências da actuação. A banda imitava os Nirvana, e o publico respondia com mosh-pitt e crowd-surf, o mínimo que se exigia a quem lá estava, para assistir.

Salto uns anos - relembro outro concerto a que fui, bem mais interessante, bem mais "enublado" ( a memória é lixada).
Era a vinda de Chick Corea a Portugal, ao Festival Seixal Jazz (salvo erro, edição de '98) e entrei quase como penetra. Corria o risco de não entrar, porque não tinha bilhete e nem era suposto ir. Mas estava com outras pessoas que tinham e resolvemos tentar comprar bilhete à entrada - consegui.

Embora sem lugar para me sentar, fiquei pelas escadas do auditório e descobri o jazz. Não tinha conhecimentos nem maturidade para apreciar o espectáculo e gostava de poder lá voltar, a essa noite, para ver tudo de novo e saborear todos os bocadinhos de música e imagem a que tive direito com outros ouvidos e olhos.
Mas na altura curti e passei a noite a agitar-me ao som da música. Nessa altura estava a ter aulas de saxofone e embora não tenha levado este instrumento muito longe, a verdade é que valeu para me acordar os ouvidos para este fantástico género musical.

Nada mal.

Livro pirata

Já li uma boa parte do "Livro Pirata", a tal obra nascida do trabalho dos Rádio Macau e a qual já mencionei aqui.
Das estórias que nele constam,a mais interessante até agora foi a d'"Homem a quem chamaram cavalo", por Flak, o guitarrista da banda.
É a crónica de um músico, um rol de peripécias, que no momento às vezes fazem trepar paredes, mas que à distância soam a piada, a uma história gira.

Depois desse relato, vem um texto de Ana Cristina Ferrão, cujo texto não me disse nada, mas que tem duas ideias muito giras. São elas: "Sara gostaria de ter vivido no século primeiro pois assim tudo o que fizesse seria novidade(...)" e "(...)Foi um 'muito' de tudo: escritora, música, visionária, pintora".

Um concerto em Mafra


Foi já em 2005, mas relembro aqui um dos primeiros concertos que vi em Mafra, os Hands on Approach.

Ainda os concertos tinham lugar na Praça da República, onde hoje é uma esplanada de muito movimento e, mal sabia eu, haveria de morar a dois passos deste espaço.

Quanto ao concerto, propriamente dito, foi uma noite banal de música bem tocada, sem notas de maior destaque. Foi no primeiro de Julho de 2005 e a banda promovia o álbum “Groovin’ on Monster’s Eye-Balls”.

Olhando ainda mais para trás, para o início da banda, e segundo garante o site da Câmara de Mafra, tudo começou com o vocalista e sua viola, numa praia. Rui David, a voz do grupo, foi convidado por Rui Santos, da Antena 3, para uma actuação acústica em directo na rádio. O convite motivou a formação da banda, juntando-se assim João Luís no baixo, Sérgio Mendes na guitarra e Aníbal Rosado na bateria.

Claro que falar na banda e não referir o single “My wonder Moon” é o mesmo que não dizer nada, uma vez que foi este tema que despertou a atenção do público para a banda, tema que se tocava no pátio da escola ainda andava eu na escola secundária.

No meu caminho só se voltaria a cruzar a banda, quando certo dia entrei numa Cash-converter e me deparei com um single deles, com um tema de estúdio e dois interpretados ao vivo – curiosamente na terra onde morei algum tempo, Torres Novas.

Adquiri-o e ouvi muitas vezes o tema “Free”, que acho ter um groove muito fixe.

Infelizmente não o encontro no Youtube, porque gostava de o partilhar aqui. Aos interessados, contactem-me via mail, que terei muito gosto em enviar um Mp3 completamente ilegal, apenas legitimado porque comprei o single e paguei a música – façam-no através de inacio.imaginario@gmail.com .

sábado, agosto 15, 2009

Queen + Paul Rodgers

Que seria difícil alguém igualar o mítico vocalista dos Queen, Fredie Mercury, era sabido, agora... não arranjavam ninguém melhor?

Ainda não tinha ouvido e lá calhou ser hoje - ouvi uma versão do tema "I want to break free", interpretada por estes Queen + Paul Rodgers e fiquei muito desiludido. Por mais que queira perceber a lógica desta escolha, a única coisa que se fixa na minha cabeça é que parece terem posto um Tom Jones velho e cansado a cantar temas que eram cantados pelo melhor de sempre, que colocou a fasquia bem alto para quem viesse ocupar o seu lugar. Mais não seja, pelo estilo inconfundível com que ele atingia notas altíssimas, com garra, numa mistura de falcete e voz arranhada.

Não tenho a certeza disto, mas parece-me que depois de terminar a tourné mundial, a colaboração terminou. Os Queen voltaram para o Panteão dos grandes e Paul Rodgers terá voltado para a sala dos músicos razoaveis. Ainda bem.

Natalie Imbruglia


Alguém se recorda desta miúda? Nunca mais se ouviu falar nela depois do sucesso nas rádios e televisões do nosso país que foi o single "Torn".

No entanto a carreira da moça não parou aí - continuou a trabalhar com gente conhecida, a colaborar com músicos como Chris Martin (vocalista dos Coldplay) e a mover-se nas áreas da música, da moda e também a trabalhar na sua carreira de actriz. Depois de em 2001 ver o seu segundo álbum editado, ela assinou um contrato com a L'Oreal, aparecendo nas publicidades da marca de cosméticos. Ainda hoje aparece nalgumas campanhas.

Como actriz, e depois de em jovem ter participado na série "Vizinhos" (uma série que já não recordo bem, mas que lembro passar na TV durante a minha infância), Natalie participou na comédia de acção "Johny English", onde contracenou com Rowan Atkinson, uma santidade do humor à escala planetária.

Para quem já não dá que falar nos media (pelo menos nos "nossos") tem trabalhado bastante. Às vezes ouvimos aquela expressão do "nunca mais se ouviu falar nessa", ou "essa também nunca mais fez mais nada", mas a verdade é que se não aparece nos jornais, nas revistas, na TV e rádios, ninguém sabe a arte que se faz.

É aqui que a internet abre uma porta importante - era importante que as pessoas não se ficassem por aquilo que lhes é dado a conhecer. A vantagem da net é que só precisamos lembrar o nome de uma banda, consultar registo de bandas a surgir, bandas de que já não ouvimos falar há muito e pesquisar. Chama-se a isto a Democratização da Cultura. É um palavrão, mas é verdade.

Desta vez passa e deixo o vídeo que tornou a Natalie célebre no nosso país aqui em baixo.

Radio (didn't) kill the radio star

A imagem é muito apelativa e cada vez mais tende a ser importante - mas a TV não matou a rádio, nem nunca matará, porque são coisas diferentes, que podem ter papeis diferentes nas nossas vidas e se calhar até se completam.

Fica o tema, interpretado ao vivo, coisa que achava ser impossível (a transposição do tema para apresentação ao vivo).

sexta-feira, agosto 14, 2009

"Fuga" de tema inédito de Radiohead na Web

Estive na página da Blitz e vi uma notícia interessante, um daqueles diz que disse, uma fuga de informação que entusiasma os entusiastas do mundo da música, os melómanos e curiosos ávidos por uma boa fofoca.

Segundo um site não oficial da banda, há um tema original do grupo a circular na net, contrariando um pouco as últimas declarações do vocalista da banda, Thom Yorke, que garantiu que não editariam mais álbuns de originais.
O grupo não confirma, mas a verdade é que a voz usada na gravação é a do front-man e a sonoridade tem "marca" Radio Head.

Sabe-se que os Radiohead estiveram em estúdio recentemente a gravar nova música com o produtor habitual, Nigel Godrich e que este suposto tema dos Radio... surge na mesma altura que o tema Harry Patch (in memory of), uma canção tributo ao último veterano britânico da I Guerra Mundial, falecido no mês passado.

Em baixo, os novos temas da banda:

Radiohead - Harry Patch (In Memory Of)



These are My Twisted Words

Red Hot Chili Peppers, Live at Slane Castle

Hoje a música começa com este concerto dos Red Hot Chili Peppers, ao vivo, no Slane Castle, castelo medieval irlandês.

Passavam dois anos desde o seu último lançamento em DVD, quando em 2003 saiu este trabalho.

De acordo com algumas coisas que li, ele retrata a actuação na integra, sem acrescento de cenas de outros concertos. Há uma única faixa que foi retirada, porque o guitarrista John Frusciante partiu uma corda - foi durante o tema "Soul to Squeeze" que se deu o incidente.

Quanto a mim, os Red Hot Chili Peppers sempre foram sinónimos de banda onde toca o melhor baixista de sempre; mas neste espectáculo quem se destaca mais é o guitarrista, que trás uma variedade aos temas muito boa, quer seja com solos cheios de energia, ou sentimento, pelos acrescentos/apontamentos que faz de guitarra e com segundas vozes. Isto lembrando que ele ainda canta um tema sozinho.

Pelo que li, por alturas do álbum "By the way", John Frusciante vinha de um período muito conturbado da sua vida, estanto sujeito a alguma pressão quando gravaram o "Californication", porque não se sentiria nas melhores condições, mais não fosse porque tinha deixado de tocar guitarra e sentia-se "enferrujado". No "By the...", pelo contrário, ele havia-se refeito de todos os problemas que o condicionavam e entrou na gravação de um novo álbum cheio de espírito criativo, acabando por se revelar isso na tourné que fizeram e em todos os espectáculos que deram. Este parece-me um bom documento desse regresso à boa forma. John Frusciante e a guitarra telecaster que toca durante quase todo o concerto mostram uma grande e frutuosa ligação.

Quanto ao Flea, o emblemático baixista, traz mais um bom motivo para o apreciar mais e mais como grande músico que é: não é que o homem também toca trompete?! Desconhecia, mas passou a fazer mais sentido para mim ouvir este instrumento no álbum "Mothers Milk". Não sei avaliar muito bem, mas pelo menos parece ser um bom executante.

Abaixo, o alinhamento do concerto.

1. "Intro"
2. "By the Way"
3. "Scar Tissue"
4. "Around the World "
* Maybe (The Chantels) (cover by John Frusciante)
5. "Universally Speaking"
6. "Parallel Universe"
* A introdução é "Latest Disgrace" do Fugazi do álbum "Red Medicine"
7. "The Zephyr Song"
8. "Throw Away Your Television"
9. "Havana Affair" (Ramones cover)
10. "Otherside"
11. "Purple Stain"
12. "Don't Forget Me"
13. "Right on Time"
* A introdução é "London Calling" do The Clash do álbum de 1979 "London Calling"
14. "Can't Stop"
15. "Venice Queen"
16. "Give It Away"
17. "Californication"
18. "Under the Bridge"
19. "Power of Equality"
20. "Final Credits"

quinta-feira, agosto 13, 2009

Joy Division, vocalistas, Ian Curtis

Enquanto folheava a Jazz.pt, passou perto o tema dos Joy Division "She's lost control" e dei comigo a pensar de que este era um bom exemplo de como um vocalista não tem que ser necessariamente um grande cantor. Ian Curtis é um excelente exemplo disso.

She's lost control


Love will tear us apart

Jazz.net

Não conhecia esta revista de Jazz, mas há dias tropecei nela num qualquer quiosque de jornais e afins. Nunca tinha dado com ela.

Comprei.

Até agora, gosto do grafismo, muito sóbrio e livre de ruído visual e da forma como são tratados os temas, bem desenvolvidos. As entrevistas são bem conduzidas e tem algumas rubricas interessantes como por exemplo o "Regressos e Efemérides", o "blues.pt" (focado no Blues), "A estante do Miguel" (que se move na área da literatura), "CiberJazz" (que procura páginas interessantes no espaço Web) e também "Às escuras", espaço em que são colocados temas a tocar, sem informação prévia, deixando ao entrevistado o trabalho de reconhecer, indentificar e revelar a sua relação com as malhas em questão.

Gostei sobretudo da entrevista a José Pedro Coelho, um jovem saxofonista que é parte da Orquestra Jazz de Matosinhos e alguém que ainda se vê como um aprendiz, ou alguém que ainda vê um longo caminho à sua frente. No final fiquei com vontade de conhecer o trabalho e génese da Orquestra Jazz de Matosinhos, ainda antes até de terminar a leitura.

Vou continuar a ler a revista, quando se segue uma conversa com José Lencastre (Saxofonista), mas não sem antes deixar um link para uma loja de música centrada no ambiente Jazz, a Trem Azul, disponível para consulta on-line aqui.

A construção das identidades; expo na Ericeira II



A construção das identidades; expo na Ericeira

Hoje, porque tinha tempo, resolvi espreitar a Casa de Cultura Jaime Lobo Silva, na Ericeira e ver o que é estava exposto na galeria deles.

Encontrei esta exposição, curiosa, mas com pouco interesse. Se bem percebo a lógica, ela remete para o nascer de uma cultura muito própria, não só do nosso país, mas mais especificamente da Vila, ideia que retiro sobretudo do título na exposição; "A construção das identidades."

O principal destaque vai para as únicas peças dignas de museu: "a Bula Manifestis Probatum, na qual o Papa reconhece existência jurídica autónoma ao reino de Portugal e o foral da Ericeira, diploma pelo qual o Mestre da Ordem de Avis consigna os deveres e os direitos dos povoadores da Ericeira, nas suas relações entre si e com a referida ordem."

O resto, são obras literárias mais, ou menos antigas, que vão desde apontamentos históricos à toponímia, etc.

Neste post pode ver-se a capa do panfleto que acompanha a exposição e no post seguinte o restante panfleto.

Colecção "Blitz Aprova"


Ando de roda desta colecção que a Blitz lançou já há algum tempo, mas que eu ainda não tinha lido toda.

Resolvi pegar em todos os livrinhos e ando a aprender muita coisa sobre álbuns que marcarm épocas específicas - a ideia é falar um pouco sobre trabalhos emblemáticos, que representem a cultura e contexto histórico, fazendo um contra-ponto com a música que as bandas faziam.

Este que ilustra este post, corresponde ao período de '74 a '79.

É um trabalho interessante e estimulante para quem, como eu, gosta de saber e conhecer mais música.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Are you ready for the blackout?

É título e é dúvida vertiginosa. Este álbum, dos X-Wife, roda no leitor de CD's a um ritmo dançante, já que agora, como nunca, o rock também é feito a pensar nas pistas de dança dos clubes.

Se em "Summertime Death" há velocidade e urgência em dizer tudo num só tema, chegamos a ela através de um primeiro tema introspectivo ("Nothing else to prove") e de um excelente single ("On the radio"), um tema para dançar e rodar nas rádios vezes sem conta, por ser o sonho molhado de qualquer indie-rocker, associado que está a uma explosão psicadélica com doses de pop e rock. Aliás, logo no primeiro tema, o título evidencia como é que estes rapazes sentem agora - já não têm nada a provar. Já plantaram as sementes e agora resta-lhes a ambição de furar os mercados lá fora e manter o interesse por parte do público portugues, nos fãs, e quem mais se juntar à "causa", naquilo que vão fazendo: música fresca e com muito groove.

A componente "electrónica" está muito presente em todo o álbum, ou não fosse o guitarrista e vocalista o conhecido DJ Kitten, acompanhado por um baixista cheio de groove e um baterista que também deita mãos aos sintetizadores e drum machine.

Curioso por mais informação, fiz uma rápida pesquisa sobre a banda, mas sobretudo sobre este álbum - lançado oficialmente no Passos Manuel, no Porto, com um padrinho muito importante no panorama musical português: Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés. O guitarrista dos Xutos aproveitou a oportunidade para lembrar que há bandas em Portugal que merecem destaque e atenção, porque "cá dentro" também se faz boa música.

Entre a velocidade sónica e gostinho pela dança, o álbum revela também um lado mais negro, mais introspectivo da banda, como no tema "Fantasmas", que logo no início é inundado com feed-backs de guitarra e sons distorcidos. Parece-me que se torna numa malha fechada sobre si mesmo, sem respirar, hermético.

Já a finalizar o álbum, temos a "Fireworks", um tema que está ao nível do "On the radio", revelando enorme potencial para se fazer valer nos air-play nacionais sem que dependam das já aqui citadas cotas de transmissão de música nacional.

O álbum fecha com o tema "Heaven Knows", um tema que tem uma boa batida que parece querer encerrar a escuta deste trabalho numa toada positiva, mas ainda assim alternativa ao rock convencional. Será uma espécie de "acabar bem", como naqueles filmes de roteiro mais alternativo, mas que têm, mesmo assim, um final feliz.

A título de curiosidade, aquando da última passagem de James Murphy, dos LCD Soundsystem, para actuar no Lux, levou com ele uma cópia do Are you ready for the blackout, ficando no ar a ideia que o "patrão" da DFA Records podia vir a abrir mais algumas portas à banda portuense, já que ele é um dos nomes associados ao universo da música alternativa/electrónica e do rock dançante.

Também ainda como curiosidade, lanço aqui um endereço de um blog que me suscitou a atenção enquanto pesquisava informação relacionada com a banda - trata-se de um fotógrafo, a meu ver, muito talentoso e que parece estar associado a algumas bandas nacionais.
Cliquem aqui!

Raul Solnado, por Bruno Nogueira

Confesso que tinha alguma curiosidade em ler qualquer coisa que o Bruno Nogueira escrevesse acerca da morte do Raul Solnado, uma vez que trabalharam juntos no documentário "As divinas comédias", o último trabalho em que o humorísta sénior participou, o seu último fôlego na TV.

O Bruno Nogueira dedicou-lhe efectivamente um post, onde ressalva o espírito de trabalho e de responsabilidade que o Raul Solnado sempre teve, mesmo nos últimos momentos da sua vida, como sugere Bruno, "mesmo contrariando o seu coração", ele exigia-se a si mesmo um bom desempenho.

A frase que Raul queria no seu epitáfio é de uma grandiosidade exemplar:
"Aqui jaz Raul Solnado, muito contra a sua vontade"
Sublime.
(in http://corpodormente.blogspot.com)

O texto na íntegra clicando na imagem em baixo.

terça-feira, agosto 11, 2009

Sessão fotográfica com estranhos

Há dias, estava eu no centro de Lisboa, quando fui abordado por um sujeito que se encontrava na companhia de duas senhoras.

O que é que ele queria? Que os fotografasse aos três.

Deu-me a máquina para a mão, uma daquelas de rolo que até bem pouco tempo servia de máquina-fotográfica para uma família inteira, e lá se puseram em pose e vai de olhar "pó" passarinho.

O tipo explicou-me que eram três amigos que não se viam há anos e queriam uma recordação. Imaginei no fim daquilo tudo, que o senhor iria revelar aquelas fotos, como antigamente, com certeza coloca-las num álbum, ou numa moldura, para as apreciar sempre que quiser.

Já o pessoal mais novo, tira fotos com telemóveis, máquinas digitais, leitores de mp3, mais dia menos dia, até as torradeiras tiram fotos... mas se calhar um dia chateiam-se e formatam a torradeira, ou partem o mp3, ou a máquina fotográfica e nem se preocupam muito, porque depois tiram mais. Mas não percebem que a fotografia é um retracto do passado.

Acho que já ninguém se preocupa muito com o que ficou para trás. O que não é de todo errado. Mas já dizia a minha professora de história: é preciso conhecer o passado para perceber o presente.

Ainda sobre os 30 Seconds to Mars...

...fica aqui em baixo um post, desta feita a banda ao vivo e em acústico. Acho que estes temas deles neste formato ganham um charme diferente, uma ambiência muito íntima e delicada, que jogam bem com a carga que os temas têm já por si.
Neste caso, The Kill, do álbum A beatyfull Lie.

Concerto de Ano Novo, Belle Époque Salon Orchestra

Este post vem muito atrasado, mas tropecei há dias neste folheto e no bilhete deste concerto que assisti em Mafra, por alturas do Ano Novo - a Belle Époque Salon Orchestra.

A memória já me atraiçoa e já não me lembro de muita coisa, mas recordo ter gostado.

O concerto teve lugar no Auditório Municipal Beatriz Costa, no dia 3 de Janeiro e pretendia invocar as noites nos grandes salões da Viena de Áustria, aliado à entrada no novo ano, o de 2009.

Com organização da Câmara de Mafra, este concerto enquadra-se num programa já habitual, que se baseia no princípio de Se Mafra não vai às grandes noites de baile de Viena, as ditas de Viena vêm a Mafra.

No intervalo serviram bolinhos e espumante e foi simpático ver a quantidade de gente que se deslocou ao espaço para assistir ao concerto.

Por outro lado, parece sempre que o nosso povo "joga sempre para os mínimos" - estar a casa cheia é bom (embora não seja difícil, porque a lotação da sala é muito reduzida), mas não chega. As pessoas têm que perder a vergonha e lembrar-se que estão ali a ouvir música e não um monólogo sobre a existência e os reflexos da mente humana do ambiente que a rodeia; estavámos ali para ouvir música, portanto não há que ter medo de nos deixarmos contagiar pelos sons e dançar, abanar, bater o pé, sacudir a cabeça... é preciso sentir a música.

Pop negra

Hoje ando a ouvir 30 seconds to Mars, uma banda norte-americana que é mais conhecida pelo facto do vocalista ser também actor, do que pela música que produzem.

Lembro-me de me falarem na banda, até por gostarem deles, e eu ler depois nas críticas da Loud! que o rapaz Jared Leto devia ficar-se pela representação, porque enquanto músico ele e os seus colegas de banda deixavam muito a desejar.

E eu fixei esta avaliação negativa.

Mas depois ouvi o álbum "A beatyfull lie" e concluí que também não é assim tão mau.

Têm um lado negro e melancólico que chama a atenção. E o vocalista tem uma voz bastante apelativa, um timbre que encaixa muito bem no som da banda.
Conseguem ser pop e respeitar o formato "canção", mas têm rock a correr nas veias, as guitarras não estão disfarçadas e a bateria está bastante presente no som final. Se calhar não são é Heavy que chegue para quem quer peso, nem demasiado polida para quem quer sons açucarados.

Em baixo, o tema mais conhecido deles - também aquele que dá nome ao segundo álbum de originais da banda.

Sudoeste: O homem-tigre abandonou o palco

O lendário Homem Tigre abandonou o palco.

O músico português, que actuava no palco secundário do Festival Sudoeste TMN, ainda subiu ao palco e tocou um dos seus temas, mas não conseguiu ultrapassar o som do palco electrónico. Desagradado com a situação, pediu desculpas à multidão que se deslocou para o ver actuar e abandonou o palco. "É a puta da falta de respeito", acusou Paulo Furtado, que também pediu desculpas aos músicos que convidara para dar vida em palco ao seu projecto de one man show.

Confiar na bíblia? Hum...não sei...

Hoje estava em casa sossegado e apareceu-me uma senhora de idade a tocar à campainha e à janela a pedir que lhe abrisse a porta.
Pela idade, não devo ter visto ameaça nenhuma e abri sem sequer perguntar que queria ela - abri a porta do prédio.

Daí por um bocado vi que tinha qualquer coisa espetada na porta, numa brecha.

Saquei aquilo para dentro e deparei-me com este documento ilustrado aqui mesmo ao lado. Não li, rasguei e mandei para o lixo, mas agora estou um bocadinho arrependido, porque se calhar encontrava neste prospecto as respostas aos meus problemas.

É bem feito, que é para a próxima lembrar de ler antes de destruir.

...

E por agora é só isto.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Ando a ouvir piratas metaleiros (Alestorm)


Esta é umas das bandas que ando a ouvir últimamente: Alestorm, uma banda de Pirate Metal, um sub género metaleiro a que respondem, duvidando este vosso araúto de coisas boas e giras que haja mais bandas a practicar o tal metal piratesco.

Não tenho grande conhecimento da banda, por isso recorri à Wikipedia para me documentar em relação ao grupo.

Os primeiros passos da banda remontam a 2006, altura que terão lançado dois EP’s.

O álbum de estreia só surge dois anos depois, pela Napalm Records, com o nome Captain Morgan’s Revenge.

A última notícia que surge espalhada pela net é a de a banda ter lançado um desafio a produtores, dj’s, manipuladores de samples, etc, para pegarem no tema “Keelhauled” remisturarem-no, para fazerem dele um “hino de dança”, segundo Christopher Bowes, front-man da banda.

Será ironia, ou sarcasmo?

Quanto ao metal praticado, é muito curioso, porque tem momentos meio abimbalhados, a soar a Polka, ou assim, mas tem uns riffs de guitarra bastante poderosos, carregados de balanço e agressividade, mas tudo complementado com melodia ora festiva, ora orquestral.

Quando não se perdem muito num acordeão pituresco, conseguem sacar boas melodias e tem peso q.b..

Muito interessante, mas parece-me que nunca serão a banda preferida de niguém, ganhando essencialmente a outras bandas de metal mais melódico, porque se afastam do Power Metal que já deu o que tinha a dar. Ainda oiço coisas de Helloween, ou Stratovarius, mas já me custa descobrir bandas novas deste género, porque é tudo demasiado igual.

De qualquer modo, se planearem uma festa de cerveja no vosso quintal e quererem ter uma alternativa aos Tankard, enquanto saboreiam uma cerveja gelada, ouçam estes piratas metaleiros.

Móveis Convento


Ah, nesta não costumo fazer muitas compras, mas confesso que também é uma loja que me cativa; não tanto pelo que vende, pelos produtos em si, mas por aquele elemento que algumas marcas têm impresso na sua forma.

Por acaso nunca entrei na loja/armazém deles, mas já tenho ido à loja da Ericeira e é um mimo visual.

O site revela um pouco da elegância da imagem da marca.

Bom, e de qualquer modo, vendem peças muito bonitas.

Casa das Marés II











Mais um sítio!

Este, um local para pernoitar, ou passar um fim de semana a dois.

É uma pequena pensão para os lados de Peniche, que fica muito próximo do mar e tem uma vista lindíssima.

Infelizmente ainda não tive oportunidade para a experimentar (ok, quando conheci a pensão não lamentei, porque estava hospedado num hotel 4 estrelas), mas parece-me um sítio simpático.

Está rodeada de água e rochas e tem um ar muito familiar, parecendo até uma casa, ao invés de se assemelhar a uma pensão.

A visitar e apreciar.

Jardim dos sentidos

Ainda na senda de sítios para comer ou lanchar, outra referência a um lugar simpático onde jantei certo dia, por alturas do meu aniversário.

O que é que vos posso dizer mais?...

Comi lá bem, o sítio é bonito e é um local bem Zen, muito relaxado e acho que só o nome deixa logo algo de sugestivo no ar.

Não consigo recordar o que comi lá, mas por certo devo ter comido muita coisa que não conhecia, porque conheço mal estas cozinhas alternativas e se ainda recordo que fui lá e gostei, acho que já é uma boa referência.

Experimentem!

Pastelaria "Fradinho"

Já dizia o outro: "eu é mais bolos". E a verdade é que por um bom bolo muita gente esquece as maneiras, as dietas e as recomendações médicas.

E no Fradinho conseguem ter os melhores de entre os melhores (bolos) e aliarem a isso um cuidado estético que faz louvar os proprietários. A gestão é muito bem cuidada. Nada é deixado ao acaso.

Com morada na Praça da República, o Fradinho é uma referência no que toca à doçaria.

E acho que estas "ajudas visuais" (ajudas porque vos vai ajudar a imaginar um belo lanche nesta pastelaria...) que aqui deixo mostram o cuidado estético, uma imagem jovem e inteligente.

Comam bolos e até a uma próxima!

Amanhã há mais

Já é tarde, portanto, o escriba vai-se deitar. Mas só porque estou cansado, porque tenho ali umas coisas boas para deixar aqui. Uns sítios giros para se ir, curiosidades e um concerto de ano novo, sobre o qual ainda acredito ter graça falar.

Mas amanhã.

Até amanhã.