sexta-feira, dezembro 19, 2008

15 anos de Produções Fictícias, uma exposição a ver na Fnac do Colombo

Pois: as Produções Fictícias lá comemoram 15 anos de existência. E que bem que têm crescido, este adolescentes (ainda SÓ levam pouco mais que meia dúzia de anos...). A sempre interventiva Fnac lembrou-se de convidar o fotógrafo Ricardo Quaresma (não, não é o mesmo que joga no Inter de Mourinho...) a criar uma espécie de foto-novela, que conta a história da existência das Produções.

Já tive oportunidade de ver e recomendo. É uma exposição muito simples, mas que tem muito interesse para quem siga estas coisas do humor. Vale sempre a pena passar no café da Fnac, tomar um (café) e dar uma vista de olhos nas fotos expostas e ler os textos que as acompanham.


Estão lá desde 12 deste mês, no Colombo, e partem a 11-02-2009.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Também eu já tenho CU!

Estou há dois dias desempregado e já sinto uma terrível ânsia por não estar a trabalhar. É claro que pensei, ainda há dias, que estar desempregado era como estar de férias, só que com menos perspectivas e dinheiro para gastar. Mas a verdade é que não é bem assim, porque se sabe bem acordar mais tarde durante a semana, também é verdade que há um peso na consciência por saber que todos se levantam cedo da cama para ganhar a vida e SÓ EU fico na cama. Mesmo que a tratar de coisas úteis.
É claro que não sou o ÚNICO a não ir trabalhar, mas a culpa é um sentimento desmedido, que por natureza exagera.

Uma das coisas que aproveitei para fazer durante este meu período sabático (para não dizer de calanzisse), foi actualizar a minha documentação, porque mudei de morada há pouco tempo. Aproveitei para lavar roupa, para enviar curriculuns pela net e para actualizar o B.I e companhia - fui testar o nível de inoperância dos funcionários publicos de Mafra.

Para minha surpresa, não só foi rápido como ainda foi eficiente. Não sei se gostei da experiência (foi fácil de mais, não houve desafio nem discussão, mau humor...), porque foram acessíveis e eficazes, e até já estou à espera de ir levantar o tal cartão de que tanto se fala agora. Sim, porque daqui por pouco tempo também eu já terei o CU (Cartão Único).

Porque sou curioso e porque tenho um blog para alimentar (pronto, foi só mesmo por causa do blog...), sondei como andam a correr os pedidos do cartão; demasiado bem. Toda a gente quer um, assim parece. A senhora que me atendeu disse-me que há muita gente com os BI´s a caducar e que não dão vazão ao restante trabalho, porque passam o dia a "passar cartão". Porque sou atrevidote e tenho um blog para alimentar (sim, outra vez o blog, exclusivamente...), perguntei se não havia muita gente a ir fazer o cartão novo só pela graça. A senhora sorriu e disse que havia muita gente a pedi-lo sem ter o velhinho BI caducado. Ou seja: o Tuga é bicho que vive em grupo, é omnívoro e gosta de tudo o que é novidade nestas, diga-se, merdinhas.

Entretanto já tenho algumas entrevistas marcadas. Será que o facto de ter CU me favorece?...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Rita Carmo

Ando por estes dias a ler a edição de Dezembro da Blitz. Com este número, encontra-se à venda um livro dedicado à fotografia e à música portuguesa, com imagens da autoria da fotógrafa Rita Carmo. É um nome no qual já andava a tropeçar há uns tempos, por algumas fotos de concertos publicadas na Blitz e por um trabalho específico que ilustrava alguns músicos portugueses - o livro que acompanha a revista é uma compilação.
Espreitem o blog da artista:
http://ritacarmo.blogspot.com/

quinta-feira, dezembro 11, 2008

...ainda o DJ Kwan (a minha procura)

Aquando da minha procura pelo nome do DJ que actuou no dia 14 de Novembro, no Pavilhão Atlântico, solicitei via e-mail a ajuda da Fnac e da organização do Atlântico. Só pouco depois é que me dirigi à Antena 3, que em poucas horas me respondeu (mais uma vez, obrigado).
Hoje, quase um mês depois, recebi o seguinte mail:

Exmo. Senhor,

O evento mencionado foi promovido pela FNAC pelo que sugerimos o contacto com esta entidade para esclarecimento da sua dúvida.

Melhores cumprimentos,
Felipa Terenas
Pavilhão Atlântico
Comunicação e Imagem
fterenas@pavilhaoatlantico.pt
Tel. +351 21 891 84 09
Fax. +351 21 891 84 13
www.pavilhaoatlantico


Se fico satisfeito por me terem respondido? Fico. Da Fnac nem me responderam.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Mamma Mia, o filme

Na sexta-feira passada, dia 5 de Dezembro (2008), fui experimentar o único cinema de Mafra – o cineteatro Beatriz Costa. O título em cartaz era o musical Mamma Mia, que já correu o mundo inteiro, mas chega com um pequeno desfasamento a Mafra.
A sala é a mesma onde já assisti ao concerto de natal da Music Land (escola de música mafrense) e a um workshop de bateria, pelo músico Nélson Sobral. A expectativa não era muita, porque já me tinham explicado que se trata de um filme ligeiro, com travo a humor, com muita cantiga à mistura.

E assim me pareceu. O argumento não é muito rebuscado, a história é muito simples, e não há lugar a complexidades de natureza nenhuma. Mesmo a tão propalada grande actuação da actriz Meryl Streep nunca o chega a ser, porque trata-se acima de tudo de um filme festivo, em que tudo é remetido para segundo plano. Mas isto não é uma crítica, antes a justificação para a existência deste filme, que nos convida à festa e onde a actriz principal serve de anfitriã – ela convida-nos para visitar um sonho descomplexado de uma adolescente com mais de 50 anos, que vive num lugar paradisíaco. Sem nunca servir de ilustração de agência de viagens, pinta-nos um lugar paradisíaco e fresco, aquele lugar na nossa mente onde nos refugiamos quando a vida se complica.

Entretanto, enquanto lia algumas notícias relacionadas com o musical, li que Meryl Streep revelou estar disponível para uma sequela, mas com uma condição – “Estou disponível para fazer uma sequela, mas apenas se me conseguirem de volta aqueles rapazes fabulosos: Pierce Brosnan, Colin Firth, Stellan Skarsgard e Dominic Cooper”, disse em declarações ao Daily Mail.

Sinopse (in http://cinema.ptgate.pt/filmes/6313)
Uma mãe solteira, independente, que tem um pequeno hotel numa idílica ilha grega, Donna (Meryl Streep), está prestes a ter de deixar partir Sophie (Amanda Seyfried), a filha que criou sozinha. Para o casamento de Sophie, Donna convidou duas das suas melhores amigas - a prática e hilariante Rosie (Julie Walters) e a multi-divorciada Tanya (Christine Baranski) - as quais pertenciam à sua banda de outrora, “Donna and the Dynamos”. Mas Sophie, secretamente, também convidou três pessoas. Na tentativa de encontrar o seu pai, ao qual estaria destinado levar a noiva ao altar, ela convidou três dos homens do passado de Donna. Em cerca de 24 horas mágicas e caóticas, surgirão novos romances e renascerão antigos, naquela que parece a ilha de todas as possibilidades.

Ano: 2008
País: Reino Unido, EUA, Alemanha
Género: Musical, Comédia, Romance
Realização: Phyllida Lloyd
Intérpretes: Amanda Seyfried, Stellan Skarsgård, Pierce Brosnan, Colin Firth, Meryl Streep, Julie Walters

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Há portugas mais tugas que outros

Os “tugas” têm vários problemas, mas há um que dá óptimo material de comédia: os portugueses gostam de falar sobre coisas que não sabem, ou sobre as quais nem sempre têm elementos suficientes. Ainda hoje me arrepio quando me dizem que têm a certeza que o Carlos Cruz está inocente, quanto às suspeitas de pedofilia que recaiem sobre o ex-apresentador. Não que esteja a atribuir sentença de culpa ao senhor. Não. Mas também não o posso inocentar, porque não conheço o processo e porque estamos a falar sobre uma coisa muito intima, que é a sexualidade, e sobre a qual quase toda a gente mente (por uma razão ou por outra).
Este desconhecimento de que falo, por vezes atinge extremos de imbecilidade. Tenho um colega de trabalho que há dias se manifestava a favor da “ATANÁSIA”, porque cada um deve ter o direito a por fim ao seu sofrimento, e contra a colocação de “CHIPRES” nos automóveis, porque é um atentado à liberdade.
É um poço de sabedoria, este meu colega…

Woody Allen quer fazer filme sobre Louis Armstrong

Woody Allen revelou à imprensa alemã que quer fazer um filme sobre o músico Louis Armstrong.
O realizador nova-iorquino quer fazer um filme sobre uma figura do Jazz, como forma de homenagear um género de que tanto gosta. Sabe-se que Allen é apreciador de jazz, tocando inclusivamente clarinete numa banda que já esteve em Portugal a actuar no Casino do Estoril, por alturas de uma passagem de ano.

A questão é: será que é de esperar a Scarllet Johansson no papel do trompetista?

DJ do concerto Fnac-10 anos

Quem esteve na noite de 14 de Novembro no Pavilhão Atlântico a assistir ao concerto de comemoração dos 10 anos da Fnac em Portugal, recorda concerteza a grande actuação do DJ de serviço, e quem leu os meus textos sobre o assunto recorda também que lamentava não ter percebido quem era.

Boas novas!

Resolvi consultar a página de contactos da Antena 3 (parceira da Fnac nesse evento) e enviar para todos um e-mail a pedir ajuda. E em boa hora, já que os (sempre) prestáveis amigos da "3", nomeadamente o sr. e sra. José Mariño e Mónica Mendes, responderam em poucas horas - era o DJ Kwan, dos Mundo Complexo, que ainda não assinou nenhum trabalho em nome próprio, acrescentaram ainda (Mariño e M. Mendes).
Posto isto, comecei a procurar quem é Kwan, acabando por descobrir o seu endereço de e-mail. Escrevi-lhe a contar o sucedido e a perguntar qual era a genda de actuações dele.
Horas mais tarde, recebi a resposta do próprio, a manifestar a sua satisfação pelo trabalho a que me prestei para o descobrir e por eu ter gostado do set dessa noite.

Assim sendo, obrigado à Antena 3 por serem prestáveis e ao DJ Kwan, por perceber que é no contacto entre as pessoas que está a riqueza do fazer.

terça-feira, novembro 25, 2008

Sky Captain e o Mundo de Amanhã

Depois de um passeio domingueiro, nada como preparar tudo para uma sessão de cinema em casa. Desta feita, um DVD comprado numa dessas lojas de artigos informáticos, componentes musicais e cultura espalhados como que em caixotes de fruta. A escolha recaiu no título que se pode ler em cima.

Este filme é uma fusão dos universos das sagas Star Wars e Indiana Jones – eis a descrição possivelmente perfeita deste Sky Captain, um filme essencialmente de aventuras, com heróis e vilões, à moda antiga.
A fotografia é a de uma banda desenhada retro-futurista, cuja acção decorre numa Nova Iorque em finais da década de 1930, com robots gigantes, aviões acrobáticos, navios voadores, um ás dos céus, uma repórter intrépida e uma deslumbrante capitã. São estes alguns dos ingredientes desta história de romance, acção e efeitos especiais.
Não há verdades filosóficas, nem críticas políticas neste filme. A leitura fica-se pelo entretenimento sem compromisso, não pretendendo ir mais longe e acaba por ser bem conseguido, porque é fantasioso sem cair no ridículo, prestando até uma bonita homenagem a este género de filmes, através do uso de imagens do tipo BD.
É um bom filme de aventuras para ver em família.

Realização: Kerry Conran
Argumento: Kerry Conran
Elenco: Gwyneth Paltrow, Jude Law, Angelina Jolie
Ano: 2004
Género: Acção, Aventura e Ficção Científica
País: EUA, Itália, Reino Unido

quinta-feira, novembro 20, 2008

Coldplay, ou a banda que queria ser um fósforo…

Chris Martin, dos Coldplay, afirmou há dias que contava reformar-se aos 33 anos – daqui por dois anos. Talvez com esta ideia em mente, a banda não vai deixar terminar o ano em que lançaram um dos seus mais bem sucedidos álbuns, sem antes lançar, já a 24 deste mês, um EP de edição limitada, com seis faixas inéditas e outras duas versões dos temas “Lost” (com Jay Z) e “Lovers In Japan” (versão Osaka Sun Mix).
Ainda na sequência deste lançamento, estará no mesmo dia à venda uma nova versão do álbum “Viva La Vida…”, que será acompanhada pelo EP “Prospekt’s March”.A este ritmo, a queimar tantos cartuxos de uma vez, vão no bom caminho para uma pré-reforma…

Segunda-feira, 24 de Novembro: edição em formato CD dos temas UPA

“Levanta-te contra a discriminação das doenças mentais” – foi este o repto que a Associação “Encontrar+se” lançou a alguns dos mais conhecidos músicos portugueses e à comunidade em geral. O desafio foi aceite e, antes que o ano termine, os temas são reunidos e editados pela Sony BMG, num “pacote” que inclui, para além de dez temas, um DVD com ilustrações, entrevistas e filmes integrados na campanha de cariz social.
Este projecto, para além de ter mérito pelo carácter de beneficência, tem particular interesse para mim, uma vez que vive de colaborações entre músicos de áreas muito distintas, algo que aprecio bastante. Já tive oportunidade de ouvir os temas e fico feliz por ver tão bom resultado e por ver que os músicos em questão não se coibiram de produzir boa música, de se embrenhar na criação de material com valor que excede a vertente social – são efectivamente músicas que farão as pessoas comprar o CD pela qualidade musical e não apenas por uma questão de solidariedade.

É preciso ainda frisar que "o projecto musical foi concebido por Zé Pedro (Xutos & Pontapés), em parceria com Paula Homem e Pedro Tenreiro, com Nuno Rafael na direcção artística e produção.
Missão: Dar um pequeno passo que fará toda a diferença no entendimento e aceitação das doenças mentais", pode ler-se na página electrónica oficial do projecto.

Visitem a página oficial e deliciem-se com a apresentação original, oiçam os temas on-line e estejam atentos à edição do CD. Eu sei que vou estar!
http://www.encontrarse.pt/

quarta-feira, novembro 19, 2008

ARTE LISBOA

Começa hoje a feira de arte contemporânea que decorre habitualmente na FIL (Feira Internacional de Lisboa).
Em baixo, algumas informações gerais e o press-release disponibilizado na página oficial do evento.

Informação Geral
A 8ª edição da ARTE LISBOA vai realizar-se entre os dias 19 e 24 de Novembro. A feira de arte contemporânea portuguesa decorrerá no Pavilhão 4 do recinto da FIL, situado no Parque das Nações, em Lisboa, junto ao Rio Tejo.
Datas e Horários
Preview & Vernissage: 19 de Novembro, das 18:00 às 23:00 horas
Abertura da Feira ao Público: 20 – 24 de Novembro, das 16:00 às 23:00 horas
Bilheteira
Bilhete Individual 20 - 24 Novembro: 8,00 € (IVA incluído)Bilhete Estudante / Jovem / Sénior 20 -24 Novembro: 4 € (IVA incluído)Catálogo Oficial ARTE LISBOA 2008: 20,00 € (IVA incluído)
GALERIAS ADMITIDAS
Em constante renovação, consolidando e atraindo novas presenças do panorama galerístico nacional e internacional, a próxima edição da ARTE LISBOA conta com a presença de 70 galerias, das quais 45 são nacionais e 25 estrangeiras. Em relação à maioritória representação nacional é de salientar a nova inserção das galerias Art Form, Bernardo Marques, Leonel Moura, Nuno Sacramento e Pente 10, que pela primeira vez estão na feira. No que respeita à participação internacional, Espanha volta a ser o país estrangeiro mais representado com 21 expositores, e assinala o maior número de novas integrações, através da presença das galerias Adhoc, Alonso Vidal, Bacelos, Casaborne, Del Sol St., Heinrich Ehrhardt, Marisa Marimón, Estiarte e Marta Cervera. O Brasil está uma vez mais na ARTE LISBOA, com a galeria Amparo Sessenta do Recife, bem como Moçambique, que terá um ponto de referência a cargo da Muvart. Finalmente, a Alemanha está presente através da nova participação da Brot und Spiele Galerie, e a Coreia, com a incorporação da Aka Gallery.

terça-feira, novembro 18, 2008

Concerto 10 anos Fnac, Pavilhão Atlântico (14-11-2008)

O espectáculo começou perto da hora marcada, passavam pouco mais de 20 minutos das 20h00. Foi o conhecido humorista Nuno Markl a abrir a noite com uma breve apresentação do que se ia passar e a introduzir a festa, sempre com a sua boa disposição (embora para ser franco, me pareceu estar a actuar em requisitos mínimos – ter sempre graça é impossível).
A noite era dedicada à música portuguesa e tinha vários motivos de interesse para mim.

A primeira banda a actuar foram os Peixe: avião, uma das apostas mais recentes da Fnac e da Antena 3 e que pratica um pop-rock cantado em português e inglês, com algumas nuances mais alternativas – a fusão com a electrónica é o que mais se destaca. Fazem lembrar, ainda que a espaços e com as devidas distâncias, uns Radiohead na sua vertente mais “distorcida”. A actuação não foi brilhante, porque para além de serem a primeira banda, o que os prejudicou, o Atlântico ainda estava a compor-se nessa altura e acabaram por sofrer também com o som de pouca qualidade de que dispuseram. A música que saía das colunas do pavilhão não era muito definida e tive muitas dificuldades em ouvir a voz, parecendo-me por vezes que o vocalista estava desfasado do resto da música (não sei se era desafinação ou se era mesmo uma questão de som). O facto de a maior parte das pessoas só conhecerem o álbum de estreia muito vagamente, também não os ajudou nada.

Depois de trocado o equipamento e montado o set da Rita RedShoes, foi a menina dos sapatos vermelhos que subiu ao palco para nos encantar com o seu universo Alice no País das Maravilhas, num tom consideravelmente diferente do que tínhamos acabado de assistir com a banda anterior. Para além de terem subido ao palco um par de canções mais introspectivas e delicadas, fiquei com a impressão que “agora” sim, naquele momento, tinha subido ao palco uma verdadeira artista. O salto qualitativo foi significativo, com a voz da Rita Redshoes a encher o palco de uma forma bastante mais consistente que os Peixe: Avião. Não só o som tinha melhorado, como efectivamente, Rita tem traços de algumas das melhores vozes femininas de sempre, e tem um bom espectáculo montado, quer em termos cénicos, quer performativos. Gostei bastante e fico com curiosidade para ouvir mais música com o selo Rita Redshoes. Espero que o álbum debutante “Golden Era” seja o primeiro de muitos.

Foi então que subiram ao palco os Deolinda, a grande revelação das rádios portuguesas de momento (ou pelo menos da Antena 3), que injectaram boa disposição aos espectadores que já iam manifestando algum “calor” e entusiasmo. Percorrendo alguns dos temas mais conhecidos do álbum de estreia (“Canção ao Lado”), a banda teve na vocalista, Ana Bacalhau, não só uma voz para cantar, como uma voz que juntou à componente musical um lado teatral que só fica bem ao conjunto – festivo e divertido. Atrás de mim alguém dizia “ganda maluca”, tal era a boa disposição.
E o publico queria, eles deram: “toda a gente fon fon fon” foi recebido de braços e peito aberto e percebeu-se que este fenómeno de raízes populares portuguesas recolhe simpatia junto dos portugueses. Resta saber até onde vai esta atenção…

A noite caminhava no sentido dos consagrados Clã e Xutos e Pontapés.

Há já muito que eu desejava ver os Clã ao vivo, porque ouvia maravilhas do colectivo da vocalista Manuela Azevedo, que entre os clássicos mais conhecidos, temas mais românticos e muito funk, exibem em palco uma postura muito rock. Grande Manuela Azevedo, grande banda, excelente espectáculo, grande componente cénica. Há ainda uma atitude de louvar: numa noite em que o publico estava estranhamente “morno”, os Clã partiram à conquista do Pavilhão Atlântico com claros apelos à participação de quem assistia na noite que se queria de festa.
De destacar também a “participação” de Paulo Furtado, sugerida pela máscara que Manuela Azevedo exibiu durante o tema “Tira a teima”, à imagem do que aconteceu na gravação do álbum em estúdio.

Por fim, lá subiram ao palco os Xutos, que geravam consenso: foram eles quem fizeram muita gente deslocar-se ao Parque das Nações e por esta altura já o Pavilhão Atlântico estava quase cheio – impressionante como o 2º balcão de repente encheu!
Já os vi tocar no Coliseu, portanto, já sei que são uma banda que funcionam muito bem ao vivo, e quase toda a gente gosta deles, reúnem grande simpatia em Portugal e isso viu-se e ouviu-se; a agitação era grande. Mas só fiquei para os primeiros quatro temas, porque ainda havia a viagem de volta a Mafra e já o relógio marcava a uma e tal da manhã.
No regresso, e em conversa, revelei o que me ia na alma depois de ver os Xutos outra vez e me fazia reflectir sobre a banda. Não consigo digerir muito bem o papel do Zé Pedro e do João Cabeleira na banda, porque o primeiro parece às vezes não estar a tocar – alguém se lembra de dizerem que o Sid Vicious (Sex Pistols) tocava com o baixo desligado nos concertos ao vivo?... – e o Cabeleira, se no início dos concertos me parece ter um som demoníaco de guitarra, torna-se insuportável ao fim de alguns temas, porque ele não pára de tocar, a música não respira e parece, a certas alturas, que está a tocar sozinho.

Em jeito de balanço: foi uma noite divertida, com boas prestações dos grupos que tocaram e há que dar os parabéns pela iniciativa – a cultura no nosso país, já se sabe, é cara, mas ainda há umas coisitas a que podemos assistir sem gastar muito dinheiro. Parabéns à Fnac, pelo décimo aniversário, e à música portuguesa, que passo a passo vai lançando projectos de interesse que não sejam só, com o devido respeito, o Rui Veloso e afins.
Por fim, salientar um aspecto fundamental para o sucesso da noite de concerto, que foi o DJ de serviço, cuja função era ocupar os períodos em que se trocavam os set com música e assim o fez – com muita qualidade, devo dizer. Assumiu até um protagonismo inesperado, com toda a gente a apreciar bastante a sua performance. Na última vez que o vi subir ao palco, antes dos Xutos, teve direito a uma grande ovação. Só lamento não ter percebido quem era, nem conseguir descobrir o seu nome na net. Farei diligências no sentido de o descobrir, em breve, espero.

The Sopranos

Bom, ontem não podia voltar a ver um filme manhoso, portanto, estivemos lá por casa a ver dois episódios da quinta temporada dos The Sopranos. Por acaso eram os dois últimos da caixa, o que fez com que não haja mais para ver. Não sei se é a melhor altura para me lembrar que é uma das melhores séries de televisão jamais feitas, com um rol de actores simplesmente fantásticos e com um enredo notável, que não limita a história a polícias e ladrões e consegue abordar o lado humano destes mafiosos, sem nunca cair na facilidade de os redimir. Não. Eles são maus e vivem de acordo com os seus interesses. Têm valores, mas não deixam de ser mafiosos.
Para mim, uma das melhores séries televisivas de sempre e já não há mais lá em casa para ver....

(P.S: parece-me que as fotos do concerto de sexta-feira passada, no Pavilhão Atlântico, estão com problemas e não estão visíveis. Espero resolver esse problema brevemente. Se entretanto, vêem as fotos, já resolvi, se não, será breve.)

segunda-feira, novembro 17, 2008

Conspiração

Começa a parecer conspiração esta sequência de maus filmes a que tenho assistido – eis um cliché, que serve bem para pegar no título do filme e dizer que, também este filme é de qualidade duvidosa.
Trata-se de um filme de acção que recai na velha história da vingança pessoal, condimentada pelos traumas de guerra que assolam um ex-fuzileiro, profundamente marcado pela guerra no Iraque. A história ainda se adensa em algum mistério, inicialmente, mas desemboca na clássica cena de tiroteio final, com os heróis a fugirem a um mar de balas a que sobrevivem sempre. Nem as referências à guerra do Iraque dão maior seriedade ao filme, que se revela vazio e desinteressante.

Sinopse (www.cinema2000.pt):
Um experiente fuzileiro das Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos é ferido durante combates no Iraque. Reformado da Marinha, vai visitar um amigo num rancho no Sudoeste. Quando chega, descobre que seu amigo desapareceu e que ninguém sequer admite tê-lo conhecido.

Título original: Conspiracy.
Realização: Adam Marcus.
Intérpretes: Val Kilmer, Gary Cole, Jennifer Esposito, Jay Jablonski, Greg Serano, Stacy Marie Warden.
Estados Unidos, 2008.

Bangkok Dangerous – O Perigo Espreita

Este fim de semana terminei mais um dos filmes que tinha para ver e penso que há muito pouco a dizer sobre este Bangkok Dangerous - O Perigo Espreita. O enredo é fraco, a história é supérflua e a prestação dos actores é muito má – com principal destaque para Nicolas Cage, que apresenta durante todo o filme um ar tristonho e infeliz, pouco condigno com o papel de assassino frio e cruel, que logo de início nos tentam “vender” (isto já para não falar no penteado absolutamente ridículo que o actor apresenta…).
Salva-se o final do filme, que dá um fim digno ao protagonista, embora mesmo isso seja mal conseguido do ponto de vista cinematográfico, com a cena final a acarretar um dramatismo excessivo e despropositado.
Um filme a evitar, sob pena de lamentarmos o dinheiro gasto no bilhete.
Sem mais, deixo a sinopse de uma página de Internet dedicada ao cinema (cinema-em-casa.blogs.sapo.pt):

A vida de um anónimo assassino dá uma reviravolta inesperada quando viaja para a Tailândia, para completar uma série de mortes para as quais for a contratado. Joe (Nicolas Cage), um assassino sem remorsos, está em Bangkok para executar quatro inimigos de um impiedoso chefe do crime, chamado Surat. Joe contrata Kong (Shahkrit Yamnarm), um pequeno ladrão das ruas, para o ajudar na missão, cobrindo algumas das suas acções e com a ideia de o matar também, quando o trabalho estiver acabado. Estranhamente, Joe, um último dos lobos solitários, vê-se em vez disso como mentor do rapaz, ao mesmo tempo que se deixa envolver num romance com a empregada de uma loja. À medida que se deixa seduzir pela embriagante beleza da cidade, Joe começa a questionar a sua existência solitária, baixando perigosamente a guarda... precisamente na altura em que Surat decide que chegou a hora de fazer algumas "limpezas".

Ano: 2008.
País: EUA.
Género: Thriller, Acção.
Realizador(es): Oxide Pang Chun, Danny Pang.
Intérpretes: Nicolas Cage, James With, Charlie Yeung.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Movimento Perpétuo Associativo

Penso que a esta altura, já toda a gente ouviu falar dos Deolinda, projecto português de música de raízes tradicionais portuguesas, que tem gozado muito sucesso nas rádios portuguesas e que recentemente esgotou a sala do Coliseu de Lisboa. Os Deolinda, ou A Deolinda, como gostam de ser chamados, têm na simplicidade a sua génese, sem nunca deixar de focar aspectos importantes da sociedade.
Quem me chamou à atenção para este tema, e mais concretamente para a letra, foi a minha cara metade, que me fez notar como é descrito o espírito “tuga” nesta cantiga - deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Convivem ao longo do texto duas vozes, numa dicotomia entre o fazer e o adiar.
Deixo a letra e recomendo que oiçam a música;

Movimento Perpétuo Associativo
Composição: Pedro da Silva Martins (Deolinda)




Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!

Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...

(O tema termina numa repetição em coro da última frase, repetido até à exaustão).

Concerto no Pavilhão Atlântico - 10 anos Fnac


“As lojas Fnac comemoram o seu décimo aniversário em Portugal.
A música portuguesa é a anfitriã da festa. Começa com a confirmação do projecto Peixe: Avião, segue com o fado suburbano de Deolinda, pega na “Golden Era” de Rita Redshoes, roda na “Cintura” dos Clã e estoira com o jeito “sempre a abrir” dos veteranos Xutos & Pontapés", pode-se ler na página http://programadefestas.wordpress.com/2008/11/08/concerto-10-anos-fnac-pavilhao-atlantico/, que dá conta da comemoração.
É hoje e eu vou lá estar, porque sou um dos sortudos que conseguiu levantar o bilhete (gratuito), a tempo.
Logo lá estarei, no Pavilhão Atlântico, para depois contar aqui como foi.

Babylon A.D

Dediquei-me há um par de dias atrás a ver o primeiro de alguns filmes que me emprestaram.
O primeiro que vi foi Babylon A.D., do realizador francês Mathieu Kassovitz, autor de filmes como “O Ódio” e “Assassino(s)”, “Os Crimes dos Rios Púrpura” e “Gothika”. Kassovitz participou também, como actor, em “O Fabuloso Destino de Amélie” e “Munique”.
Confesso que a expectativa não era muita.
Pegando um pouco na sinopse, a história gira em torno de Toorop (Vin Diesel), um personagem que sobreviveu a várias guerras “que devastaram o mundo desde o início do século XXI. A máfia que reina na Europa de Leste confia a este mercenário uma delicadíssima missão: acompanhar uma bela rapariga chamada Aurora, numa viagem da Rússia a Nova Iorque, e entregá-la a uma poderosa ordem religiosa. Toorop terá de proteger a jovem de todos os perigos, em conjunto com a tutora de Aurora, a Irmã Rebecca (Michelle Yeoh)”, descreve o jornal Público, na sua edição on-line.
Para além disto, pouco há a acrescentar, porque não passa daqui. O cenário “desenhado” é o de uma civilização em declínio, com todos os aspectos negativos da Humanidade (poluição, guerra, violência, crise financeira, etc, etc) a serem muito explorados. A prestação dos actores é má, com Vin Diesel no seu pior (no estilo porco, mau e feio) e com uns diálogos que em nada favorecem a história – é recorrente o cliché “não confio em ninguém e sou um solitário”.

Babylon A.D.
Título original: Babylon A.D.
De: Mathieu Kassovitz
Com: Vin Diesel, Mélanie Thierry, Michelle Yeoh
Género: FC, Thr
Classificação: M/12
EUA/FRA, 2008, Cores, 90 min.

Britney Spears (cont)

Depois de digerir os prémios europeus de música da MTV, os EMA (European Music Awards), decidi fazer alguma investigação sobre a menina Britney Spears, no sentido de perceber que álbum era este “Blackout”, que a levou a ser galardoada com dois prémios – o de Álbum do Ano e Artista do Ano.
Fui à Blitz on-line espreitar se alguém mais se tinha manifestado, em favor ou desfavor deste “renascimento artístico”, e em baixo passo algumas transcrições que revelam as opiniões presentes num dos fóruns da revista on-line, lançada que é a questão, através de um artigo da Blitz – dei-me a liberdade de seleccionar e editar todos os textos, sem no entanto alterar o sentido dos mesmos. Trata-se apenas de uma amostra; várias opiniões.


O renascimento de Britney Spears – verdadeiro ou fabricado?
Um ano e três troféus depois, a cantora sai em estado de graça dos prémios da MTV [os prémios a que se refere o artigo não são os EMA. São “prémios vídeo”]. Como quem apaga de vez as más memórias, ganhou as três categorias para que estava nomeada – Melhor Vídeo Feminino, Melhor Vídeo Pop e Vídeo do Ano – todas por “Piece Of Me”. Será pelo que reza a afortunada música? (…) Como elencou (…) o jornal The Independent , “83 milhões de discos vendidos, dois casamentos, dois divórcios, dois filhos, perdida a batalha de custódia destes, repetidos exames psicológicos, dezenas de milhares de paparazzi, uma capa de revista em que aparece nua e várias recaídas mediáticas depois”, a carreira da menina bonita da MTV parecia ter acabado.
Mas em escassos meses, Britney fez reabilitação numa clínica, anunciou um novo álbum e, pela primeira vez e apenas numa noite, em 10 anos de carreira e 16 nomeações, conseguiu finalmente levar três dos cobiçados troféus da MTV para casa. Que pensam os leitores da BLITZ desta reabilitação pública?

Aconteceu a Britney, mas é algo que é comum a muitos dos músicos: hoje estão na mó de cima, amanhã na mó de baixo, depois de amanhã voltaram à ribalta.E há muito senhor músico a quem também aconteceu isso: Johnny Cash não esteve uns anos “esquecido”? Bob Dylan também não teve aí uns anos um pouco mais em baixo? A verdade é que hoje os media precisam de criar notícia. No início, Spears era notícia porque era a nova menina bonita do pop, a sucessora de Madonna, a “next best thing”.
Depois, por uma razão ou por outra, começou o “declínio”. Mas até que ponto é que o próprio declínio não foi fabricado (ou empolado) pelos média? Será que coisas que dantes eram “cool” agora eram sinais de degredo?
Acho que acima de tudo, existe um grande empolamento da comunicação social neste tipo de casos. Cria hypes, destrói-os, renasce-os.A nós, leitores e melómanos, cabe-nos ter discernimento de distinguir o principal do acessório e de perceber que nem tudo o que parece é...Enquanto mantivermos o espírito crítico e a mente aberta, estas manipulações têm menos efeito e pode ser que a música se sobrepunha aos fait-divers.
(…)Se ela está realmente recuperada ou não, isso não sei. A falta de notícias escabrosas tanto podem dever-se a ela ter finalmente passado a usar cuecas e passar a guiar os carros com alta voz e sem os filhos ao colo, como pelos PR terem pago aos tablóides para deixarem de comprar fotos comprometedoras dela (os papparazzi são todos free lancers, se não comprarem as fotos dela escolher alvos mais rentáveis) com a promessa de se a deixarem em paz vão ter uma Britney de novo em forma... para poderem destruir de novo daqui a uns anos.(…)
Existe alguma coisa verdadeira na MTV? Pensei que fosse tudo de plástico.
(…)Acho que sim. Afinal de contas, ela tem tudo para ser uma enorme artista e uma “entertainer” memorável. Apenas tem a vida num oito, mas pelos vistos, mostrou - se recuperada de tudo o que passou.
(…)
Acho que sim. Não gosto da música dela, mas respeito a carreira, e isso é mesmo de louvar. Agora que se mantenha no caminho certo.
(…)
Não estão a fazer mais do que a obrigação deles. Foram os media (e a MTV tem uma quota na culpa) que pegaram na menina do Louisiana do Disney Club e que quiseram fabricar um fenómeno. Acho que, aos 16 anos, quando assinou o “pacto com o Diabo”, a Britney não devia ter a mínima noção do quão maquiavélicos são os media e do quão destrutiva a fama pode ser - ainda por cima para um produto fabricado.
Por isso, já que souberam pô-la no topo e já que souberam arrasá-la com ela por completo numa fase pessoal bastante má, agora só têm a obrigação de ajudá-la a apanhar os cacos e a ajudá-la a reconstruir e a prosseguir com a carreira com aquilo que eles trabalham... a imagem perante a esfera pública.
(…)
Ela não é nenhuma Fénix. A única coisa que renasceu nela foi o cabelo. Ainda assim, com muitas extensões (fabricadas) à mistura. Tudo o resto é fabricado pela “máquina” que está atrás de qualquer artista. Neste caso a máquina MTV deu uma grande ajuda, tem o poder de colocar no topo artistas medianos, ou simplesmente ignorar outros de qualidade comprovada.(…)
Penso que.... parte da indústria musical se dedica a criar intrigas de forma a entreter donas de casa, reformados e adolescentes, para não criarem distúrbios na via pública nem se porem a especular demasiado sobre política porque isso ia dar problemas. Em ultimo caso um golpe de estado. Tanques na rua. Gente fardada. Tudo porque já não há Britney nas revistas. Não, não podemos deixar que isso aconteça. Há que entreter a população para que não se preocupem com coisas importantes!A ideia não é minha, foi tirada do livro do Manuel João Vieira :)
(…)
Eu continuo a dizer que a blitz já esta a exagerar um bocadinho... Não faltará muito para que a Blitz mande um paparazzi atrás dela para juntar aos muitos que já andam... Não há noticias mais interessantes sobre o Rage against the machine, ou Elvis, ou Marilyn Moroe, ou Muse, ou Radiohead (…).(…)Antes de perguntarem se o “Renascimento” foi ou não fabricado, perguntem - Existe alguma coisa na carreira dela (e da maioria de artistas mais comerciais) que não tenha sido fabricado? Quem prestar a mínima atenção a história da Britney sabe que ela foi muito “incentivada” pelos pais a procurar uma carreira artística... Tudo o que fez foi extremamente planeado, nada ocorreu por acaso. Isso para mim é uma carreira “fabricada”, na medida que nada aconteceu de forma natural.
Atenção que isto não é uma critica à Britney, fui muito fã dela e respeito-a como respeito qualquer outro artista, por isso é que não me parece justo andarem a falar de suposto renascimento fabricado quando tudo o resto é.
(…)
(…) Vamos ser adultozinhos e avaliar seriamente. É claro que os prémios MTV sempre se adequaram à vontade das pessoas.
(…)Penso que isto é um bocado fachada! O facto de ela estar a passar uma fase melhor não quer dizer que esteja realmente bem e curada! Mas se realmente estiver nós só temos que ficar felizes porque uma cantora como ela é um património mundial! Fora de brincadeiras ela é realmente uma boa cantora e pode ensinar a muita gente o que é realmente cantar e dominar o palco e o público! Passou por grandes momentos de glória, que nós esperemos que não acabem! Para acabar tenho que dizer que o facto de aparecer nua numa capa de revista não a favoreceu nada em matéria da custódia dos filhos. Se para muitos ( homens) ela subiu uns pontinhos, para muitos e muitas também ela desceu tornando-se a menina desavergonhada!
(…)
Entretanto, enquanto fiz algumas pesquisas sobre a (agora menos) polémica cantora, li que já foi anunciado na passada sexta-feira, no sítio oficial da Internet, a capa e os títulos dos temas do novo álbum. O novo trabalho chama-se “Circus” e tem data prevista para chegar às lojas a dois de Dezembro deste ano - mesmo a tempo de aproveitar o sucesso que Britney Spears teve nos EMA, durante a época que se avizinha, o Natal.
A primeira música de “Circus”, intitulada “Womanizer”, já atingiu os tops americanos e “assinala o regresso da artista às lides musicais”, destaca o Disco Digital.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Finalmente a Band from TV vai lançar um álbum!

Não sei se recordam de há uns tempos terem surgido notícias sobre uma banda formada por vedetas da televisão, entre as quais figura o médico mais conhecido da TV, o Dr. House. Para aqueles que desejavam ver editado em CD as músicas que a improvável banda tem interpretado, eis agora a oportunidade de escutar um concerto que ocorreu no ano passado, onde são interpretados temas como “Piece of my heart”, “Mustang Sally” e “The letter”. A edição foi já lançada em CD/DVD, mas pelo que tenho pesquisado, o CD ainda não foi comercializado em Portugal. Descobri a notícia nalgumas edições on-line de jornais brasileiros, que davam conta do trabalho em áudio e vídeo, que já estará à venda no Reino Unido. Na Fnac on-line, não há informação sobre o CD, mas pretendo ainda perguntar numa loja, para saber se já estará encomendado – em terras de Sua Majestade, já está à venda há coisa de um mês.
Uma das particularidades desta banda é que reverte todos os lucros das actuações e vendas para instituições de caridade.
O grupo é formado por Hugh Laurie (House), James Denton (Desperate housewife), Greg Grunberg (Heroes), Bob Guiney (reality show "The Bachelor") e Bonnie Somerville (Nova York Contra o Crime).
O álbum tem o título “Hoggin´All the Covers” e o seguinte alinhamento:

“Piece of My Heart”
“You Really Got Me”
“Will It Go Round in Circles”
“Feelin' Alright”
“Pink Cadillac”
“Lean on Me”
“Hard to Handle”
“Mustang Sally”
“The Letter”
“Viva Las Vegas”
“Goodnight Irene”
“Papa Loves Mama”
“Shake a Tail Feather”

quarta-feira, novembro 12, 2008

Em Bruges, crime e comédia

Ontem fui tirar a barriga de misérias no que toca ao cinema e fui ver o filme “Em Bruges”, do realizador Martin McDonagh.
Ia preparado para ver uma daquelas comédias do tipo Britcom, carregadas de non-sense e personagens realmente parvas. Mas, embora seja, efectivamente, uma comédia, não deixa de ser uma comédia inesperada. Inesperada porque não obedece aos ritmos a que estamos habituados e sobretudo porque funde tragédia e tristeza num caldeirão que acaba por transbordar em humor. As emoções a que o espectador fica sujeito, positivas ou negativas, são elevadas ao extremo e é essa a beleza do filme - do humor à tragédia, num universo muito distante de séries como Little Britain.
Passando um breve olhar pela sinopse:
“Em Bruges”, decorre na cidade belga presente no título, a mais bem preservada cidade medieval em todo o país. Os atiradores profissionais Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson), depois de um “trabalho” difícil, são para lá enviados, seguindo ordens de Harry (Ralph Fiennes), o seu chefe londrino. Completamente deslocados no meio da arquitectura gótica, canais e calçadas, os dois homens limitam-se a ver os dias decorrer, como simples turistas. Se Ray odeia o local, Ken encontra paz de espírito na beleza e serenidade da cidade. Enquanto aguardam a chamada de Harry, a experiência torna-se mais surrealista, envolvendo-se ambos em estranhos encontros com a população local, turistas, arte medieval violenta, anões e prostitutas holandesas.
Quanto aos actores, é claro que o destaque vai para a dupla que acompanhamos durante toda a história, mas a verdade é que todos representam personagens muito bem conseguidos, mesmo os que têm menor protagonismo.

2008
Estreia nacional: 30 de Outubro.
País: Reino Unido, Bélgica.
Género: Comédia, Crime.
Realização: Martin McDonagh
Intérpretes: Colin Farrell, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes.

terça-feira, novembro 11, 2008

Errata

No post anterior escrevi que foram três os prémios que ganhou Britney Spears, nos MTV EMA (European Music Awards), quando, na verdade, a cantora pop ganhou “apenas” dois – o de Melhor Álbum e Melhor Artista do ano.
Muito se discute a qualidade da informação que se encontra nos blogues e, a verdade, é que um blog não é um meio de informação. Ou pelo menos não pretende ser. Mas pode ser, ainda que dentro de um modelo muito específico.
De qualquer forma, o meu objectivo era manifestar um ponto de vista, mas dentro daquilo que é a realidade e verdade, sem deturpar ou limitar-me a dizer por dizer, criticar por criticar.
Assim, há que atentar a informação e confirmar, citar fontes, não levantar falsos testemunhos ou informações falsas. Não. A fantasia e imaginação, essas deixo para os textos de ficção, que também aqui publico, de quando em quando.

sexta-feira, novembro 07, 2008

MTV -Europe Music Awards


Ontem lá entregaram os Europe Music Awards, da MTV. Não assisti à cerimónia, nem tão pouco a acompanhei. No entanto, hoje de manhã tive a preocupação de saber quem tinham sido os galardoados. Não contava ter surpresas com as nomeações, porque por norma sabemos que os nomes que mais ouvimos nas rádios são os potenciais candidatos e que apenas um, por categoria, pode ser vencedor. Até aqui tudo bem.
Os Tokio Hotel, os 30 Seconds to Mars, a miúda que beija miúdas (Katy Perry) e até Barack Obama ficaram associados à entrega dos prémios, através de referências mais ou menos discretas - Jared Lito levava uma t-shirt com a figura do novo presidente norte-americano. Agora, o nome que me deixou confuso (nem me sinto indignado, mesmo só confuso) é o de Britney Spears. Como é que ela limpa três prémios, para mais quando tinha Duffy e Coldplay como concorrentes directos. Embora eu faça algum zapping através das rádios, de um modo geral, costumo ouvir a Antena 3. Também leio algumas publicações de música e vou-me informando pela Internet sobre o se vai passando nos meandros do meio musical. Estou, portanto, relativamente bem informado. Mas não estava a par do hype em torno da Britney – e a verdade é que a pop, a MTV e os prémios musicais, por norma, vivem do hype que rodeia um artista.
De resto, nada de anormal. O galardão para Melhor Banda ao Vivo foi parar às mãos dos Tokio Hotel, os 30 Seconds To Mars ganharam nas categorias de Melhor Actuação Rock e Melhor Vídeo (com o teledisco de “A Beautiful Lie”), o troféu de Revelação do Ano foi para Katy Perry, Kanye West levou a melhor sob a concorrência e conquistou o prémio para Melhor Actuação R&B ou Hip-Hop e o prémio Ultimate Legend foi entregue a Paul McCartney, precisamente na cidade que viu nascer os Beatles, Liverpool.
Quanto aos “nossos” Buraka Som Sistema, ficaram de fora da corrida para Melhor Artista Europeu. O mesmo é dizer que perderam o prémio para turco Emre Aydin.
Para o ano há mais e, até lá, vou tentar perceber onde raio tem andado a Britney Spears, ou pelo menos onde ando eu com a cabeça, que não me apercebi da recuperação da moçoila - ups, I did it again...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Super-Obama


A todos os distraídos: os Estados Unidos de America têm um novo presidente. É verdade. Podemos despedirmo-nos do sr. Bush, que já não nos vai mais atormentar na presidência norte-americana. Podemos, também, felicitar o sr. Obama, homem de carisma, assim o descrevem, que vem para inverter o estado das coisas. Só espero que a capa que lhe colocaram nas costas, aquela do seu fato de super-heroi, não fique entalada numa qualquer porta, ficando o fato para trás, bem como as espectativas que o acompanham.
Sr. Obama, parabéns e... juízo.

Um pequeno passo para o Homem...

Final da escadaria. A sombra do espaço fechado cerca a minha sombra até que esta desaparece. Vou caminhando, ritmo acelerado, para apanhar o comboio.
Escada rolante e eu navegante, em andamento, a pensar e… nada. O vazio do quotidiano a deambular por lugar nenhum.
Dentro do comboio, dentro do chão, na linha vermelha do Metro, calor e suor. As janelas só vêem o escuro e por isso os olhares cruzam-se, tímidos, à procura de um ponto discreto, sem significado, para olhar.
Alameda. Correria desenfreada para mudar de linha. Atropelos, cavalgadas escada acima. Deixos-os passar. Ignoro a pressa… – mentira. Também já fiz o mesmo, mas perdeu significado. Agora desvalorizo.
De novo o comboio. Linha verde. Rumo ao Campo Grande. Calor. Suor. Atrás, a mãe e o filho, que não se quer segurar e vai girando, numa dança que desafia as leis e o juízo.

Uma coisa de que gosto nos transportes públicos, é a riqueza de histórias e momentos, conversas, que registo com espírito jornalístico. Não porque faz falta ou serve o blog. Não. Faço-o pelo prazer de escrever estas histórias na minha cabeça. O blog é um veículo…. Mas dizia eu: os transportes públicos são um óptimo espaço para recolher apontamentos desta novela pitoresca, destes retratos do quotidiano – janela para momentos de que vive um contador de estórias.

De volta à mãe e ao filho, entre estações…
– “Mãe, o que quer dizer Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade?” – pergunta o petiz.
– “Foi quando o Homem foi à lua. Quer dizer que uma coisa boa para o Homem, é boa para todos” – explicou a mãe.
– “E como é que é bom para todos o Homem ter ido à lua?” – atirou a criança… Claro que a progenitora não soube responder. Obviamente. Nem eu sei. A verdade é que a imagem de desenvolvimento surge-nos como a resposta para todos os problemas, quer seja sob a forma de um novo sistema de comunicação, quer seja sob o aparecimento de um novo planeta no sistema solar. Este desenvolvimento parece sempre a salvação da Humanidade. Provavelmente isto está muito próximo do que chamam cientivísmo. Esta crença na ciência.
Mas continuando na lua… Há esta questão da veracidade da viagem do Homem à lua. Os EUA terão, alegadamente (é da praxe…), colocado dois astronautas lá no satélite e isso é bastante impressionante. Sobretudo numa altura em que a Guerra Fria andava cada vez mais quente, com os serviços sercretos e agentes de espionagem a não ter mãos para tanto “serviço”. Na competição entre a ex-USSR e os Estados Unidos, pelo desenvolvimento ciêntífico e influência mundial, os Estados Undos demarcaram-se claramente com o, considerado, feito do século… Bom, é óbvio que não estou a recusar acreditar que a mais longa viagem já mais feita pelo Homem seja verdade, mas confesso que me suscita algumas reservas. Não tanto por aqueles aspectos técnicos, da bandeira e não sei quê não sei que mais. Não. O que mais me perturba é a perfeição do momento. Um homem, na lua, coloca a bandeira norte-americana, em directo e, num improviso duvidoso, afirma tratar-se de Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade. A perfeição e orgulho patriótico, que mesmo os não-americanos sentiram, de certeza, fazem-me lembrar um daqueles filmes (de onde?...) em que os bons (esses que estão a pensar….) ganham sempre. Percebem?

It´s the good old American way!

terça-feira, novembro 04, 2008

Obrigado, Fernando Ribeiro (Moonspell)

Tenho o hábito mensal de comprar a Blitz, a Loud! e a Arte Sonora, três publicações sobre música - as únicas que encontro nas bancas em português (ando a prometer-me saber de algumas fanzines que ainda vão aparecendo por aí). Entre os vários motivos de interesse que encontro nestas revistas, está o The Eternal Spectator, uma coluna de opinião que tem espaço na Loud!, da autoria do Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, escritor, etc, etc.
Só que no mês passado, enquanto folheava a Loud!, deparei-me com a ausência da coluna. Após melhor pesquisa, li a nota de roda-pé que explicava o caso. Assim sendo: o Fernando Ribeiro, para além de ter gozado um período de férias, encontra-se neste momento em digressão com os (seus) Moonspell, na Blackest of the Black Tour, juntamente com Skeletonwitch, Dimmu Borgir, Winds of Plague e Danzing, que encabeça a tournê. A acrescentar, enquanto ouvia as Manhãs da Antena 3, ouvi um diário que o vocalista da banda portuguesa apresenta, com motivos de reportagem e com entrevistas a elementos da banda, músicos de outras bandas, ao chefe da equipa de segurança e a fãs.
E porquê tudo isto? Onde é que quero chegar? O que eu quero registar no meu blog é que "desculpo" o Fernando Ribeiro pelo facto de eu não lêr a crónica na Loud! há dois meses, porque prefiro vê-lo, como bom profissional que é, a desenvolver trabalho de relevância e interesse - quanto mais não seja, para puder depois desfrutar as histórias que eu (sei que) vou lêr na revista.
Gostava que o Fernando Ribeiro visse este blog, para eu puder dizer "obrigado Fernando. Obrigado por teres iniciativa. Por fazeres e arriscares, por acreditares no trabalho que desenvolves. Obrigado por animares as minhas manhãs (ainda que seja só agora), ao descreveres o périplo da banda portuguesa mais internacional de sempre pelos EUA. Obrigado pelas histórias que contas no Eternal Spectator e por ajudares a colocar o nome do nosso país lá fora. Obrigado".

quinta-feira, outubro 23, 2008

Cicerone

Ontem, quando ia apanhar o Metro, fui abordado por um tipo. Precisava de orientação para chegar ao Saldanha. Levei aqueles segundos que por norma levamos, ao ser abordados por estranhos, a concentrar-me no que ele dizia. Porque se expressava numa língua que não o português e porque todo ele soava a estrangeiro, puxei, da minha memória para a zona do meu cérebro que controla o vocabulário, o inglês que estudei durante muitos anos e tão poucas vezes tenho oportunidade de usar. Acabei por lhe dar "boleia" pelas várias linhas (porque ia fazer o mesmo percurso) e estivemos a trocar impressões pelo caminho. Perdidos numa língua que não era comum a nenhum de nós, encetamos uma conversa sobre culturas e sobre o nosso país.
Confesso que o facto de não usar há muito a língua inglesa, me fez perder a objectividade e muitas questões que podia ter colocado ficaram esquecidas e, portanto, sem resposta.
O sujeito, cujo nome não me lembrei de perguntar, é natural do Irão, residente na Finlândia, e encontra-se de férias em Portugal. Como é que um iraniano vai parar à Finlândia, era outra coisa que devia ter perguntado…
– “So, where´re you from?” –, perguntei, enquanto subíamos as escadas.
– “I´m from Iran” –, respondeu-me, com um sorriso nervoso.
– “Really? You´re quite far from home, aren´t you?” –, atirei.
– “Actually, I´m from Iran, but I live in Finland” – explicou-me.

Enquanto caminhavamos pelos corredores do Metro, fomos conversando sobre o que ele estava a achar do nosso país. Revelou-se muito satisfeito, porque, sendo de um país quente e estando actualmente num país onde faz muito frio, estava contente por puder gozar de temperaturas mais amenas. Por outro lado, aprecia também o espírito mais aberto da nossa gente. Estávamos num espaço público, movimentado, com toda a gente a falar uns com os outros. Aparentemente, na Finlândia, as pessoas são muito mais fechadas, pouco efusivas, pouco dadas – num espaço como aquele onde nos encontrávamos, reinaria o silêncio - lá por terras d´onde ele se encontra a viver.
Por fim, falámos da vaga de crime de que tanto se fala, que eu desvalorizei e até acusei ser alarmismo injustificado, porque Portugal ainda é um país onde se pode andar à vontade na rua. Ele concordou.
Acabei por chegar ao meu destino, apontei-lhe o restante caminho que ele devia percorrer e desejei-lhe uma boa estadia. – “Enjoy!” –.

Foi uma viagem de Metro diferente do habitual.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Rádio Imaginária

Novo post, desta feita, e como prometido, ao som da Rádio Imaginária.
Embora ainda esteja em construção, já vai sendo possível ouvir alguns dos meus temas preferidos enquanto vagueiam pelos meus textos. Ainda não está tudo como desejo, mas lá chegaremos.
Para além da música que selecciono, é possível ouvir algumas das bandas que têm inscrito o seu trabalho na página do Cotonete, no Saca-talentos, bandas à procura de uma oportunidade. Nunca é demais lembrar que este espaço apela a todos os que fazem e produzem trabalhos, os que arriscam.
Enjoy the music!

sexta-feira, outubro 17, 2008

Há vida e há blog

Há coisas a acontecer(-me a mim): na gaveta está um possível cover da banda ribatejana Slime Fingers. Depois de fazer uma versão acústica do tema "Contradiction", está na calha uma nova versão, desta feita da balada "Forget". Espero conseguir levar esta missão a bom porto, porque não desejo mais nada que respeitar o trabalho dos Slime Fingers, um dos projectos a seguir no panorama nacional mais underground (rumo à ribalta, claro!)
Ainda no campo da música, na página do 3535project, estará em breve um tema original, com a colaboração do Fernando, um bom amigo que me inspirou para esta composição com uma malha de guitarra demoníaca e tresloucada. Está em fase de acabamento.
Entretanto, o blog, que voltou ao activo recentemente, já vai conhecer uma inovação: está já em desenvolvimento a Rádio Imaginária, uma rádio em podcast, que pretende acompanhar os leitores deste humilde espaço bloguista, enquanto saboreiam as, muitas vezes, ácidas palavras que espremo.
Obrigado aos que me seguem nesta aventura.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Desconectividade

Andar pela rua descontraído,
sem querer saber de nada, banda sonora invisível.
É preferível.
Sons desagradáveis encobertos,
olhos bem abertos para só ver,
contemplar e imaginar.

Batimento cardíaco e contrabaixo,
por debaixo da bateria.
Maravilhado e encantado,
feel the swing,
eu sigo e sinto.

Descontraído e descomprometido,
o jazz a fazer sentido,
é tão bom ficar perdido –
Aqui que sei onde estou.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Alguém viu a minha escrita?

Ainda ontem por aqui estive e ela estava cá. Peguei-lhe e deixei-me levar, como costumo fazer quando o assombro me toma e me leva para outras paragens que desconheço e das quais não me lembro, porque quando regresso, paro, olho, escuto e nem me reconheço naquilo que lá ficou. Mas até olho com admiração, porque reconheço iluminação, à luz dos acontecimentos, naquilo, porque parece tudo tão acertado. Só que não me parece meu, só isso.
Agora, sinto é um receio, porque às vezes não a encontro – embora tenha já lembrado, noutros momentos, que a tenho sempre comigo. E fico logo alarmado, a copiar mapas para a minha mão, para comparar e achar. Eterna pesquisa.
Por isso é que eu pergunto: alguém a viu? Temo que ao verem-na não a reconheçam, porque não a conhecem de lado nenhum, ou desconfiam - como que tudo fruto do acaso. Juro que não é. Só não sei explicar de onde ela vem, estando muitas vezes eu, sentado ao luar, à espera que ela apareça, vinda não sei de onde.
Hoje por acaso achei-a… Ou será que foi ela que me achou?

Hiper-revolução

Todo eu sou raiva, todo eu sou zanga. Fervo afrontas e indignações, em chama acesa longe do lume brando; uma voz de comando que grita de dentro para fora, mas que sai e não sai, quer sair – revolta.
Que mundo este, de destruição, ebulição desnutrida de razão, imbuída de alienação, que ninguém parece querer ver; é ver para crer, é um eterno não querer saber que me fazem os dentes ranger, de raiva, salivando, de raiva, os punhos vou cerrando, de raiva.
Há quem enfrente tudo, de frente para tudo, com objectivos definidos, definitivos, às vezes exclusivamente primitivos. E agora permitimos? Isto? Esta desordem? Esta geração que cospe acidez provocada pelo excesso de tudo, sem nada que fazer? A minha raiva quer ceifar estas liberdades e colocadas na lavra da terra, arruma-los na acção e utilidade, acabar com a futilidade. Agora neguem o absurdo, porque às tantas não é só rebeldia, já é realidade vazia, desconectividade, como uma nova tecnologia que perdeu validade.
O problema foi criado, agora crie-se a solução.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Retrato do pensamento de uma pessoa que me conhece

Renegociar aquelas conversas passadas, momentos passados – tempo passado, passado à história.
Mandei-te aquele mail a perguntar o que era feito de ti, mas nunca obtive resposta. Pensaste em responder-me, mas eu nunca o soube, porque nunca o fizeste. Houve ainda um dia em que fui à janela e pareceu-me ter visto um esboçar de um sorriso, mas afinal era eu que me lembrava e condenava à saudade. Negligência e desinteresse; quero negociar contigo, para que de novo possamos celebrar a escrita.
Em dias de chuva tenho dito para mim mesmo que deves estar em casa a meditar, como fazias em textos que me dirigias, profícuos em enigmas e questões para as quais não obtinhas respostas e que eu lamentava nunca responder convenientemente, de maneira a saciar essa tua imaginação sedenta de tudo e contente com nada. Hoje estimulo a lembrança para encontrar a tua face num pensamento meu, e oiço as gargalhadas que eu imaginava que tu davas quando lias aquela doce ironia que eu tinha escrito, mas estás cada vez mais longe do ponto em que nos separámos – a imagem que eu guardo.
Se hoje nos cruzássemos seríamos estranhos que já se conhecem desde há muito tempo, num paradoxo impossível de ultrapassar, porque a barreira do tempo só é transposta se empurrada todos os dias. A dor física até a lembrança a esquece; a dor psicológica e saudade nunca passam, senão, com o poder do tempo, que tudo leva.
Onde é que vais estar amanhã?

terça-feira, outubro 07, 2008

"Another Way to Die"_novo tema de James Bond

É o primeiro dueto da saga 007 - "Another way to die", o novo tema do mais recente filme de James Bond, "Quantum of Solace". Alicia Keys e Jack White (White Stripes) numa fusão épica, com o tom clássico e aventuresco a que nos habituamos nas bandas-sonoras do agente secreto mais famoso do mundo.
O tema - que já estava disponível no YouTube - foi mandando retirar por alegado abuso dos direitos de autor. No entanto, já está de novo disponível online, desta feita na página da editora do líder dos White Stripes, a Third Man Records.
Para quem ainda não teve oportunidade de ouvir, aconselho a escuta, porque trata-se de um tema muito bom. O autor da música foi, pois claro, Jack White, que conseguiu incorporar no tema a marca James Bond, a belíssima voz de Alicia Keys, e o som distorcido e agressivo que imprime sempre nas suas composições - guitarra suja e a bateria seca, cozinhadas com sons de orquestra e um piano perturbador, forte, grave.

Quanto a Alicia Keys, afirmou o desejo de colaborar com White num próximo álbum, em nome próprio - quem não quereria?

Há vida depois do blog

O blog parou; tudo o resto manteve-se em constante avanço e evolução. Até noutros planos da vida, outras coisas surgiram, tal qual uma página do myspace e agora uma página de internet, que visa congregar as várias realidades que vou espalhando.
Mas aqui vou voltar a escrever; afinal há vida depois do blog.

domingo, setembro 16, 2007

E ao findar do dia...

Mais um copo de veneno, mais um tempero ameno. Estou sereno, escrevo ao ritmo frenético dos sons, dos tons... busco inspiração em coisas pequenas. Nada de sofrimentos, alheamentos, enfadamentos.
Entretanho-me a brincar com a escrita, como quem experimenta cores de uma paleta imaginária.
Hoje não tenho medo; amanhã talvez.
"Good night and good luck".

segunda-feira, setembro 03, 2007

Apontamento

O mundo move-se, com tédio, numa dinâmica contraditória, insatisfatória, desejo de evasão.
O mundo fede, fode, funde-se e finge que cada qual é como cada qual, que tal, com cada cabeça, uma moral. Mas somos todos da mesma massa; assim se passa.
São tudo expectativas, mapas, cartografia emocional, metas, merdas, margens - falhamos todas. O vazio é tão grande, que o espectro descreve um arco absurdo de complexidade, tantos aspectos, tantas opiniões. Mas o vazio é sempre vazio. Porque a dinâmica é imutável - nascer, crescer, morrer.

sábado, setembro 01, 2007

Crítica de uma crítica

A ignorância não tem tempo ou lugar, ela prolifera. Quando apanho o autocarro, ou quando espero na fila do super-mercado, sou confrontado com a dita (a ignorância). Grave é quando a ignorância se revela nas opiniões técnicas, por vezes pouco apuradas. Não está em causa o gosto de cada um. Antes, a inabilidade para discernir o preto do branco.
Não me quero dizer fã de Slime Fingers, mas sou um seguidor do trabalho da banda de Torres Novas e confesso que considerei hilariante a crítica a que foram sujeitos - no texto referente ao concerto que decorreu na Meia Via, no dia 5 de Maio. Será possível errar tanto?
Vejamos; que a voz revela problemas é bastante óbvio, mas sejamos honestos e lúcidos para perceber que a única falha em termos de vocalizações se prende com uma falta de grandeza, a grandeza que a instrumentalização representa. O frontman dos Slime Fingers não arranha por caminhos indevidos, porque embora revele uma certa inabilidade para cumprir uma boa prestação, revela também uma clara noção de melodia e de encaixe, de perfeição formal – talvez falte a atitude de um frontman, um lead singer, que não alguém que se esconde atrás da guitarra.
Agora, o que eu não entendo é a perspectiva sobre o instrumental. Onde raio está a influência nu metal que é referida? Será que o peso da guitarra hoje é dia é princípio para a conotação com a sonoridade nu metal? Fui à wikipedia tentar perceber melhor o fenómeno do nu metal/nü metal/new metal (em português, metal novo). “Ausência marcada de solos de
guitarra e outros resquícios de virtuosismos típicos do Heavy metal.
Constante variação entre vocal “choroso” (
Korn, Limp Bizkit) ou suspirado (Deftones) e vocal “gritado”, raivoso ou as vezes Melódico (Incubus, Sevendust e Linkin Park).
Alguma influência da
Música electrónica, adquirida do Metal industrial e variações britânicas do Breakbeat, como é o caso do Jungle e do Drum n’ Bass.
Uso de
DJ, principalmente para accionar os samples e para efeitos de "scratch e Turntables".
Uso variado de instrumentos diferentes, tornando cada banda única por seus diferenciais.” ...perdoem-me a ironia, mas estamos claramente perante uma banda com grandes influências nu metal... a começar pela ausência de solos com que os Slime Fingers nos brindam.
Depois não entendo a antítse, a contradição de ideias, o disparate: a banda tem potencial ao nível do instrumental, mas ao mesmo tempo não sabem que rumo tomar? Uma banda sem rumo não tem potencial, tem contas a fazer e ideias a explanar. É do senso comum e do bom senso – é preciso ter rumos definidos quando se compõe metal progressivo, ou há o risco de divagação, contradição, disparate. O mesmo princípio aplica-se aos textos jornalísticos.
Sobre a atitude punk, referida como dispensável, faz parte de uma abordagem que considero inteligente por parte da banda. O Metal progressivo não prima pela interacção com o público ou grandes estados de extase em palco. É preciso saber digerir esta sub-categoria do metal e é preciso gostar muito, ou torna-se aborrecido – é muito técnica. Trata-se de uma nuance estilística, não um problema de qualidade.
Depois de ler a crítica "fiquei-me" a contemplar o remate: “a banda de Torres Novas necessita de bastante trabalho”. Curiosamente, concordo. É preciso é que também quem escreve se dê ao trabalho, não se fique pela crítica fácil.

domingo, junho 03, 2007

Teia

É a teia. É a vida. São o bom e o mau que se espraiam em desconexas agonias. Não percebemos que depois do bom vem o mau e que depois do mau vem o bom. Tudo é bom, tudo é mau. Não relacionamos os pontos da vida que vamos encerrando em episódios; assumimos que "foram fases". Vivemos episodicamente, sem legendas e de forma omnipresente - personagens principais que desconhecem o que se passa na outra sala do labirinto. São teias, são enredos, somos personagens planas, se num vislumbre sobre o vale do passado.

Simples


Reflexo do poço intelectual azul, onde escondo emoções contidas, onde guardo coisas que não sei o quê. São estados vazios que segregam seiva de ternura, ou raiva, ou graça, ou alegria. São como imagens a preto e branco, que nada escondem, mas que contêm magia e duplo significado, um estado artístico. É a beleza que a vida nos oferece, juntamente com a intelectualização e o romantismo poético que o Homem (e a Mulher...) saborea como mais animal algum. É a arte.

Coisas simples


Tudo bem

O dia de ontem já se vai esbatendo na minha memória; agora, que finda o dia de hoje, agora, que perco dois segundos a pensar que amanhã será um novo dia. Fico, espectante, a pensar que amanhã pode acontecer muita coisa. Uma nova realidade, novas horas, minutos nunca vividos e que nunca se repetirão. É isso que acontece com o futuro: aguarda-se, com expectativa ou espírito de inevitabilidade, e vive-se, para depois ver tudo passar para o passado, passar à História, soma das estórias pessoais, mescla colectiva. É bonito pensar nisto, se formos aconselhados pela paz de espírito, pelo "calmo improviso do poente" e pela calma de viver. Sem angústias. Sem pressa ou sentimento de perda. É esta a nossa vida.

quinta-feira, maio 31, 2007

Lei das crianças

Mandaram-me este artigo por e-mail. Acho o texto delicioso. Divirtam-se.

"CALEM-ME A CRIANCINHA QUE NÃO CONSIGO MASTIGAR João Miguel TavaresJornalistajmtavares@dn.pt

Estava Miguel Sousa Tavares na TVI a comentar a nova Lei do Tabaco quando da sua boca saltou esta pérola: o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio. Que bela comparação. Afinal, o que é uma nuvenzinha de nicotina ao pé de um miúdo de goela aberta? Vai daí, para justificar a fineza do seu raciocínio, Sousa Tavares avançou para uma confissão pessoal: "Tive a sorte de os meus pais só me levarem a um restaurante quando tinha 13 anos." Há umas décadas, era mais ou menos a idade em que o pai levava o menino ao prostíbulo para perder a virgindade. O Miguel teve uma educação moderna - aos 13 anos, levaram-no pela primeira vez a comer fora.Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida. É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes. Mais do que isso. Sou daquela classe que Miguel Sousa Tavares considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam "até bebés de carrinho!". A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis. É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora - mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai? E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos de vontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.O que fazer, então? Mantê-los fechados em casa? Acorrentá-los a uma perna do sofá? É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode. Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, Miguel Sousa Tavares produziu o comentário mais snobe do ano. Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada. E isso, caro Miguel, não é boa educação - é privilégio de classe. Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes. Avós à mão e boas empregadas não calham a todos. A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar."

quarta-feira, maio 09, 2007

Esta aprendi com uma amiga brasileira

Filosofia do cavalo de 7 de Setembro: Andando, cagando e sendo aplaudido...

sexta-feira, abril 13, 2007

Carro inflamável (ainda não tirei fotos)

Há dias normais que se transformam em absoluto - absoluta demência, emergência, coincidência, parte da vivência que vamos transportar pela nossa efémera eternidade (antítse paradoxal que atormenta a Igreja...). Entrevista marcada, mais uns quantos quilómetros, mais uma conversa e o regresso. O regresso marcou-se e pautou-se por isto que vou descrever no próximo parágrafo; um novo assunto, aquele que interessa relatar.
Ia este escriba a conduzir, quando o pendura o alerta para as faíscas que saíam a seus pés; que pare, que pare, que saia, que há perigo, que temos que sair. Tinha fumo a sair do "tablier" e chamas nos pedais. Fugir do carro, que pode explodir; mas voltar para afastar as pessoas do perigo...
- Liguei para o 112 e foi bizarro. A minha chamada correu várias instituições, ouvi música e a dificuldade era dizer onde estava. Amadora, na parte alta, onde mataram os polícias, disse o nome da rua, mas nada chegava para a pessoa do outro lado da linha. "Tenho o carro a arder à minha frente, pode explodir, já disse onde estou..." até que surgiu uma carrinha de patrulha da polícia, que ajudou a controlar as chamas até à chegada dos bombeiros (aparentemente alguém soube, lá no 112, onde era rua...).
Foi um episódio meio louco. Pessoas a aparecer do nada, a ajudar, a saber se estava tudo bem. E a imagem que retive foi a do carro em chamas e o nada que eu podia fazer. Mas houve um final menos infeliz e, à excepção do carro que ficou pronto para a sucata, ninguém se magoou e nada de muito grave aconteceu. No final, a história até era contada com sorrisos, porque de tanta coisa que podia ter corrido mal, correu menos mal. É um carro que costuma ser conduzido por estradas nacionais onde não há nada à volta a não ser mato e costuma transportar duas crianças. Fico feliz por estar envolvido no acidente, porque me parece que o carro ia incendiar-se mais cedo ou mais tarde - foi problema de curto circuito... - e assim eu estava presente para ajudar.
Fim.

quarta-feira, abril 11, 2007

E o blog?

Ah pois é, que não há maneira de eu ir actualizando o blog. Para não perder o fio à meada, vou lambendo ideias no papel, na esperança de as descarregar aqui. Mas não há maneira. E a vasta plateia que segue o meu mundo perverso e surreal (quem é que eu quero enganar...) vai anseando por novas histórias, por novas depressões líricas e até por vómito, sangue, suor, lágrimas, o que eu já habituei.
Mas a espera compensa. Nos próximos posts vou descrever a seguinte bizarria: o carro onde eu seguia ateou fogo. Sobre este assunto, texto e imagens (amanhã vou tentar obter fotografias do carro queimado), e uma pequena dissertação sobre o estranho cenário que é estar diante de um carro em chamas, as coincidências que se cruzam conosco e, ainda, as dificuldades com que nos deparamos enquanto utilizadores do 112 - tão somente um número de emergência.

sábado, março 31, 2007

Acidente

Tirei os óculos do bolso, desembrulhei as hastes dos óculos que tavam no bolso e um estrondo. Um estrondo forte, cá fora, eu a meio da escada, subi a escada toda e voltei-me e nem pensei - vi dois carros embrulhados e vi fumo e vi espanto e vi o acaso fazer cruzar a trajectória daqueles dois carros. Ninguém travou. Foi o acaso. Foi um acidente. Foi uma porcaria.

Controlo

Mas é que nem controlo. Nada, digo. Não controlo nada. Vou tentando, numa luta desigual, para depois controlar nada. É que não há mesmo nada que eu controle. É um descontrolo. Mas é mesmo assim, não é?

Desvario

Abstracção, obstrução, oblíquo, oblíquo, observação: gemo, suo, perco-me. Agonia, melancolia, ia, porque ia, porque queria. E no presente? Quero. Quero muito.
Só que agora vou saltando pelos telhados, a partir tudo. E fico-me entre a saudade, o ódio e a salada de frutas.
E as flores? É que até rima com frutas e llutas, as putas.
Ai, mais um suspiro, foi outro desvario. É tudo uma questão de memória; é tão inglória. Parece que só lembra e dói por mal, que por bem estamos hoje.
E dói-me tanto o estômago de fome, que nem consigo pensar. Que giro!

Braindead

O pior é a falta de tema. É não ter do que falar. Música, não escutam, cinema, não vêem, e depois resta o trivial. Sem empregos, restam pintelhices sem interesse nenhum.

O vidro transparente da janela

Um olhar pela janela. Telhados, antenas tortas, duas torres da mesma igreja; o rio. O sol a fazer brilhar ideias que se perdem sobre as casas e os tectos e os telhados. Coisas sem interesse.
E os góticos? Em baixo, na Baixa, por lá andam. Sou tolerante, por isso não estranho, mas estranho, isso sim, o culto da melancolia e do triste. É assim? Vampirismos à parte, será possível sorrir? Anedotam sobre o quotidiano?

Chulos

Hoje não é desses dias, mas há os que não tolero o acordeão. Aquele gente suja a pedir, a "esmolar", a chatear, às vezes até a fazerem-nos sentir mal conosco, por eles passarem necessidade. São aldrabões - falam ao telemóvel, usam adereços, um até tem córneas nos olhos, só que no Metro esconde-as, para todos sentirem pena.
Nojo e vergonha.

Tragédia, catarse, fénix, mundo real

Entro na sala dos espelhos, na sala do reflexo cru, onde me vêem todas as imperfeições. Não fixo ponto, escondo o meu olhar no vazio, aqui, ali, atrás e zás! Outra fobia, outra agonia. São os dias em que somos fracos, em que o castelo de cartas cai e desmorona, abandona a posição. Nem são dias de negação. São dias em que desistimos - não amamos, não acreditamos, não defendemos causas, não somos por ninguém, apenas tememos. Medo, suor e lágrimas; sangue, receio e tremura. Depois é simples loucura, ou paranóia, mas sobretudo suores frios. Não gosto desses das, ninguém gosta.
Catarse: choro agoniado, convulsões, medo, medo, medo, morte, escuro, vazio. Abandono, miséria, fome. A morte do ser-humano, que quando deixa de acreditar, deixa de fazer sentido.
Fénix: regresso das cinzas, da queda sem fim. Deixei o medo. Todos com a expressão "sentir a brisa na face", no gesto de erguer do chão - pisados, pisados, pisados - acima da multidão, tanta raiva para dar vazão.
´Temas não, implodi, explodi, renasci, restias de força lançam nova vaga de loucura-demência-ó-razão, absoluta frente de combater. Fraternidade, fraternidade, fraternidade! Fraternidade, liberdade, coragem, querer.

(Fora do meu labirinto de rosas negras, onde existe um mundo tão negro, mas mais real, gritou-se "Portugal, Portugal, Portugal!"; a seguir vão fazer um reality-show com ditadores...)

quinta-feira, março 29, 2007

Certezas

"Quando uma coisa é verdade, é verdade. Quando uma coisa não é verdade, não é verdade" - ouvi esta na rua. Não há nada mais importante que ter as ideias bem esclarecidas.

segunda-feira, março 19, 2007

Rua...

... Augusta: comércio de um lado e doutro, o polícia de giro, os inquéritos, o assédio, a caneta que anota, o zigue-zague para fugir do inquérito, a cola, a perseguição, mais comércio e... vento! - o cabelo a desmanchar-se, a despentear-se, a dançar-se e a estante dos postais caída no meio do chão, depois do estrondo, do barulhão, do trambulhão, postais pelo chão, os putos a rir até mais não.

Vómito

Cabeça entre as pernas. Dores abdominais. Mais uma contracção, azedo, regorgitações. Puxo o autoclismo, limpo os fios de baba que se misturam com as lágrimas das contracções abdominais e dores nos rins. Volto para a cama. A cama voa. A cama é boa. A cama não pára quieta. A cama... que agonia...

sexta-feira, março 16, 2007

Cheira-me sempre a frete

Depois do boom da internet, outro fenómeno: não há porra de sítio onde alguém se dirija para pedir informações sem que nos encaminhem para a página da internet. Ninguém sabe nada, internet, internet, internet; não entendo esta nova mecânica, repete, repete, repete, internet.

Loucos à solta

Olhar vazio, preso no chão, preso no lixo que está no chão, fixo no chão... fui interrompido por um histérico que percorria as carruagens do metro aos gritos. As pessoas quase trepavam para o colo uma das outras, para fugir daquele macaco à beira do colapso.
Isto aconteceu; em Lisboa, na vida real, num metro perto de si, fora de si, assim, se sim, para mim - para mim estão todos loucos.

quarta-feira, março 14, 2007

Escrita

Tenho a escrita. Ao menos tenho sempre a escrita. Sonâmbulo, triste, decadente, ardente, demente, um idiota, em lágrimas ou armado de sorriso - terei sempre a escrita. Essa, não a pago; essa, não a devo.
Mais sono, menos loucura. Embriagado, mas já tirei os óculos de aviador, depois de ter guiado o meu abismo pela estrada, pela noite. Há dias em que transpiro loucura - são dias de vertigem, à beira do abismo. Como dizia o outro, é um histerismo que grito para dentro, é pura confusão. Mas terei sempre a escrita.

Recupero mais um texto antigo - desta vez um conto incompleto

Comecei a sentir alguém a sacudir-me. Aos poucos retomava a consciência. A vibração da janela fez-me adormecer.
Era o revisor que me abanava, na esperança de me acordar. "- Vá lá ver! Amigo, não tenho o dia todo!", dizia-me ele. Mostrei-lhe o bilhete. O homem deixou-me em paz.
Estava de novo no comboio, a caminho de Lisboa. Era mais um fim-de-semana em casa da minha tia-avó. Costumava lá ir aos fins de semana para mergulhar na agitação da cidade, para contrastar com o ambiente rural onde vivo. Em vila do Ranço nada acontece. É um local pacato, onde habito, onde todos os dias acordo para ir trabalhar. Faço a contabilidade numa oficina de pneus, numa cidade ali perto.

(Como nunca terminei esta história, que quase nem comecei, nunca soube o que aconteceu a este personagem. Acredito, no entanto, que o aguardam aventuras em Lisboa, durante este fim-de-semana. Calculo até, que a força do seu carácter vem da sua curiosidade natural e sagacidade de espírito. E imagino, que o final da aventura seria purificador, que teria um final feliz - será que desta forma terminei o meu conto?)

Índice de Massa Corporal (IMC)


O IMC calcula-se dividindo o peso pela altura ao quadrado. Se o resultado for inferior a 18, a Organização Mundial de Saúde entende que se está perante um caso de peso a menos.
(... e peso a mais, como é?)

terça-feira, março 13, 2007

Recupero aqui um texto já antigo - mais desatinos e uma consideração final

Um dia vazio de medos e cheio de convicções: sonho que vivo por instantes. Sentar e pensar que tudo funciona.
Um beijo incompleto, interrompido por uma vida arruinada, por uma vida que nunca o foi e por uma vida que será: coito interrompido.
"Deus deu-me para depois tirar", gritei inconformado.
A outra, a que tem nome de flor, falou de coisas que me encheram de desejo, beijos húmidos naquela pele morena. Senti-a perto de mim e fechei os olhos com os seus seios encostados no meu peito.
...
Transpiro frustações na sala dos corpos moldados e caminho para uma vida nova, numa passadeira de verdades inconsequentes - saio e o chão não pára de andar, levando-me sempre naquela direcção.
Mas gritam-me lá de baixo verdades que não são as minhas e acumulo rancores daqueles que amo. Porquê? Porquê importar-me com a negação do meu querer, que é legítimo, que é feito de lutas e conquistas? Porque não é aceitável na clarividência de alguém que tomou outro caminho? Dane-se!
Ja o ventre, esse sorri-me, talvez como um aliado momentâneo, que me vê na perspectiva de uma pátria distante, de um tempo de outras guerras. Amo o ventre, mas amo a liberdade que aprendi num espaço sem angústias de daí a um minuto, daí a uma hora, daí por um dia, dias, semanas, meses, anos, muitos anos, uma eternidade.
Receio menos, mas revolto-me mais, com ganas de cuspir no chão.

P.S: como um teenager revoltado e cheio de dúvidas pode fazer sentido, num sentido poético; sentido, por dores de parto de uma idade adulta, usa palavras e expressões maduras, para, numa mentalidade infantil, simular um adulto.

quinta-feira, março 01, 2007

Sax azul

Have you ever?... absolutamente! Então naquelas manhãs começadas a ritmo de primavera, com os pardais e outras passaradas que tais, e tal; acordar sem recear acontecer algo de mal.
É como aquela do Herbie Hancock, em que o piano vai cantarolando, enquanto o trompete vai dizendo que se sente bem.
Deve ser porque há dias em que viver é uma experiência agradável - o nosso clube ganhou, o nosso filho aprendeu a andar de bicicleta, o patrão deu um aumento, a loira do semáforo piscou-nos o olho, os colegas gabaram-nos a audácia, a nossa mulher deixou-se penetrar pela manhã - disse que me ama.
Há dias em que o verde não é só verde, é mesmo verde - e é nesses dias que o sol não é só sol, é o magnífico sol. São dias de sunglasses, bearglasses e outros glasses.
São dias em que acordar é uma benção e dormir uma miríade - parecia-te o quê, que estou sempre negro? Não. Até me vou deitar bem vermelho, de bater o pé no chão, da bateria imaginária que não me sai da cabeça...

... de volta ao apocalipse e aos meus demónios pessoais...


E no meio de todo este apocalipse...


Todos se dizem inconstantes

A descoberto o sangue, o suor e as lágrimas - embrulhada no meu colo de voz grave, soltas o gemido vencido que eu acalento; com rouquidão, mais uma festa, mais uma carícia de irmão.
Não temas nem chores, nem cedas. Estou aqui. Não fujas, não inundes, estou aqui para ti. Sou teu e tu és minha... protegida. Canto-te versos de côr carmim, sinto a tua respiração cheirar a jasmim. Absolutamente nada sem ti, uma ode triunfal assim: contigo nos meus braços.
Tomo mais um golo do meu café, amargo, tal qual páginas de um livro negro; picos, altos e baixos, revés... cães corridos a pontapés. É a vida, meu amor, chora no meu ombro, que estou aqui para te ouvir.
...
Um soluço, mais uma crise. Temo pela generalidade do abismo, a inconstância. É geral, todos se dizem inconstantes. É total. Todos a carpir mágoas mil, todos a agir com medos mil. Todos sofrem, todos se queimam nas brasas, todos se deitam no caixão.
E eu? Eu afundo os pés vincados no chão e... fraternidade. Sim. Sim, fraternidade. Só assim. Sem verbo nem sintaxe - só fraternidade, estendendo amor aos que amo com paixão e aos que não amo, senão, por bem querer a outros que guardo no coração.
Confio em mim, heis porquê. E sinto os ombros fortes o suficiente para amparar a queda do mundo.
Hoje não há palavras duras, nem agonias e azedos. Hoje sou só um ombro amigo.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

As histórias que espeto em papel

Imagino histórias lindas para as desmembrar brutalmente com lâminas de prata e medo. Ando no verde campo, para poder pisar as flores. As flores, essas putas que têm nome redondo e que não têm, na sua forma escrita, arestas e bicos, dureza - só apelidadas de putas as posso escrever.
Não sou louco. Mas permito-me criar no papel um mundo imaginário, um só meu, onde violo a gramática e esfolo o português... e onde chamo putas às flores, que é só para usar expressões negras, pretas, setas apontadas aos corações. Gosto do som da morte, do corte, da esfínge, e do som da boca que se rebenta, partida à paulada.
... desta vez sinto que excedi. Que sou um parvo com sono. Ou então iludo-me com a gramática e com paredes cobertas de sangue, para amanhã acordar feliz e contente.
Defeito genético!

Pseudo-suicídio

Olá, outra vez! Mais um dia. Afinal ainda cá ando. Foi outro dia que não primi o gatilho e que desisti do tubo encaixado na boca. Hoje não é dia de morrer.
Nojo...
Pescoço vermelho, inchado; é a marca da lâmina, senhor. Sim, aquela que encostei ao pescoço, enquanto me cintilavam os olhos de loucura e desprezo por mim mesmo.
Pseudo...

Gritos

Gritei o pontapé que dei no muro, a seco, no frio, a unha que partiu, que rebentou do dedo que estalou sangue, dormente dedo medo, tiro o pé dali que dói, mas bati... água morna que banha o pé, o sangue dilúi, o olho chora, o nariz funga, a mãe conforta... sai por essa porta! Fujo e grito, evito falar, revelar, expôr-mostrar! ...cala-te!
Isto: palavras que personificam o azedo do vomitado na boca de toda a gente, uma dor de cabeça tempora acima. Cala-te! Cala-te!
Empurro-me contra as estacas; porque dói, porque me trespassam, porque sim, por tudo, por nada.

Fica

Não vás! Não vás embora, que há quem te queira. Não é pelo que eu te amo, mas por quem eu amo, que te ama a ti. Fica para aquele festim que te prometim, pim, pim!...

Auto-flagelação lírica

Mais uma página do louco. Mais uma página, estava rouco; não tinha espaço, não há traço, mas esgravato mais umas linhas neste papel branco que ninguém lê senão eu - estarás tu a ler, mas desta tela de luz, onde penso e divago numa segunda vaga.
Volto a deleitar-me com palavras duras, laminadas, que doem que ferem, que atiro contra a parede para as ouvir partir, estilhaçar - escrevo palavras à procura das arestas, como cabeçadas na parede, como socos num estomâgo desprotegido. É como um jogo de choque e de espanto: discurso agressivo, nojento, árido, absolutamente, estoicamente, mente, mente, mente-me, mente à minha mente.
Roubem-me o passado e empurrem-me no vazio, criem um paradigma do absoluto, do branco vazio, do colapso mental de imemória, de inglória - um passado inexistente, memória fria ou quente. Um precipício, um pé na berma, na queda, na merda, naquele tubo que te parte os dentes à pancada, à cacetada, do medo da dentada, enquanto pendes no muro, agarrado à rede... memórias, histórias. Tudo merdinhas que fazem de nós qualquer coisa pronta a mudar, pronta a vestir, pronto a comer, comer.

É o silêncio

Não disse nada... não, não disse nada. Larguem-me, não disse nada! Ou então verbalizei o pensado, aquele sentimento prensado. Um desiquilíbrio, uma tontura. Mas já foi, agora deixem ouvir o silêncio.
Já disse que não disse nada! Foi só um gesto de incerteza, um suspiro! Um reflexo de medo... sim, de medo! Porque não há valente sem fraqueza, sem se transformar em preza, um buraco vazio à pressa, vai à merda! Sim, tu que julgas pela capa do livro, esse onde descrevo os excrementos que me atiram como cuspo, como palavras cuspidas, como palavras fodidas, facas que cortam. Chora, eu choro, eu imploro, eu sou, eu sou uma poça de lama, uma poça de germes e outras coisas de nojo e tortura, outra tontura... e descalço sobre os vidros partidos, sangue, suor, ardor. Vai à merda... vai tu!