quinta-feira, agosto 06, 2009

O último concerto a que fui...


Foi já no longínquo dia 20 de Junho, às 22h00, que assisti no Castelo de São Jorge ao concerto dos Deolinda.


O espectáculo estava inserido na Festa do Fado e neste concerto, para além dos Deolinda, podíamos ouvir também a voz da Cristina Branco, em dueto com a Ana Bacalhau, ou a solo.

Estava uma noite de verão espectacular e havia muita gente a assistir, sinal da boa aceitação que o fado tem neste momento entre as camadas mais jovens e de como o fado vive um momento muito saudável.

Continuo a achar que não está directamente relacionado com algum tipo de inovação que os novos intérpretes tenham trazido para o fado, mas antes com o facto de serem pessoas novas a interpretá-lo, com uma postura mais descontraída, ou pelo simples facto de o público mais jovem se rever naqueles rostos, nas vozes, por se sentirem mais próximos e com mais em comum.

Quanto ao concerto, propriamente dito, começou com as canções Mal por mal, Fado Toninho e Não sei falar de amor, temas do álbum de estreia dos Deolinda.

A banda encontra na Ana Bacalhau um poderoso argumento ao vivo, não só pela voz, mas também pela relação que ela estabelece com o público, contagiando-o com uma forte energia e boa disposição - nem o facto de os pavões residentes no castelo se manifestarem por vezes a meio das canções a fez tremer.

A entrada de Cristina Branco foi apresentada como “uma das mais belas vozes do fado actual” e veio trazer um pouco mais de “fado” à noite, com um leve tom de nostalgia com a música “Lisboa não é a cidade perfeita”.

Todos os temas tiveram sempre um interlúdio, um pequeno enquadramento “estórico”, como que estando a vocalista a contar estórias para adormecer, pela doçura e delicadeza com que a vocalista dos Deolinda nos transmite os significados daquilo que canta.

Ainda houve lugar a duetos, como em “Margarida”, poema de Álvaro de Campos, com as vozes das duas vocalistas a nem sempre encaixarem muito bem, mas a resultar naquilo que se pretendia – um ambiente festivo e descontraído.

No final, quando o público pedia mais, os Deolinda regressaram ao palco para repetir alguns temas, porque a verdade é que a banda ainda só tem um trabalho editado. Se calhar já era altura de pensar num novo trabalho e perceber se são mais um fenómeno condenado ao esquecimento, ou se vão por cá andar muitos anos.

Seja como for, é bom ver a música portuguesa a salvar-se a si mesma, sem ser preciso impingir as tais cotas nas rádios, que estabelecem mínimos de música nacional a rodar no airplay. E isto apesar de, pelo menos na minha humilde opinião, bandas como os Deolinda , ou num espectro mais rock, os Pontos Negros e outros que tais, tenham beneficiado muito da exposição na Antena 3, rádio que tem estado muito associada ao lançamento e promoção de bandas nacionais. Se calhar também porque tem procurado grupos novos e artistas, não se fixando no tradicional cancioneiro que afastava os ouvintes da música que por cá se faz.

Isto tudo para dizer, também, que no estrageiro já não somos só a Amália Rodrigues. Temos muita gente a levar o nome do nosso país, apesar de alguns não terem tanto feed-back junto do nosso país como por exemplo a Mariza, que tem sido apontada como sucessora da Amália, provavelmente até pela projecção que tem tido lá fora. Bandas como os Moonspell, Deolinda, X-Wife, Legendary Tiger Man, etc, têm tido uma boa exposição junto dos públicos estrangeiros. No caso da Cristina Branco, por exemplo, ela tem muito público na Holanda, onde se calhar até goza mais prestígio que dentro do seu próprio país.

Por tudo isto e mais alguma coisa, fico feliz por ter assistido a este concerto, naquela bela noite de verão e mais fico por ver a música portuguesa a ganhar um grande fôlego e a sair da zona de segurança a que sempre fomos remetidos. Temos muitos e novos projectos, que só precisam que seja dada a oportunidade de tocar e promoverem-se a si próprios, pela sua qualidade.


Alinhamento

1. Mal por mal

2. Fado Toninho

3. Não sei falar de amor

4. Contado ninguém acredita

5. Lisboa não é a cidade perfeita (Cristina Branco)

6. Fado mal passado (letra de Júlio Pomar e música de António Vitorino d’Almeida)

7. Quando janto em restaurantes

8. Fon fon fon

9. Eu tenho um melro

10. Ai rapaz

11. Canção ao lado

12. Entre Alvalade e as Portas de Benfica

13. Margarida (Ana Bacalhau + Cristina Branco)

14. Sete pedaços de vento (Ana Bacalhau + Cristina Branco)

15. Garçonete da casa de fado

16. Movimento Perpétuo Associativo

17. Clandestino

18. O fado não é mau

19. É ou não é (Homenagem ao fado)

20. Fado Castigo (Ana Bacalhau + Cristina Branco)

sábado, maio 30, 2009

A origem da comemoração dos aniversários

Hoje vinha de regresso para casa e ocorreu-me que nem sempre as datas de aniversário foram celebradas e fiquei com curiosidade em saber quando se iniciaram este tipo de comemorações, porque me parece por um lado haver uma espécie de generalização nesta matéria, mas por certo terá sido uma cultura específica a iniciar estas festividades.

Fui então à já muito requisitada wikipedia e encontrei este interessante texto sobre a origem do Aniversário.

Origem da Comemoração

Os vários costumes de celebração de aniversários natalícios das pessoas hoje em dia têm uma longa história. Suas origens acham-se no domínio da mágica e da religião. Os costumes de dar parabéns, dar presentes e de celebração - com o requinte de velas acesas - nos tempos antigos eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro. Até o quarto século, o cristianismo rejeitava a celebração de aniversário natalício como costume pagão.

Os gregos criam que cada um tinha um espírito protetor ou gênio inspirador que assistia seu nascimento e vigiava sobre ele em vida. Este espírito tinha uma relação mística com o deus em cujo aniversário natalício o indivíduo nascia. Os romanos também endossavam essa idéia. O costume de acender velas nos bolos começou com os gregos. Bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas eram colocados nos altares do templo de Ártemis. As velas de aniversário, na crença popular são dotadas de magia especial para atender pedidos. Acreditava-se também que as saudações natalícias tinham poder para o bem ou para o mal, porque a pessoa neste dia supostamente estava perto do mundo espiritual.

(in Wikipedia.com)

quarta-feira, maio 27, 2009

Varekai

Eu fiz anos há pouco tempo - e a minha querida mulherzinha ofereceu-me uma das melhores prendas que já recebi nos últimos tempos, bilhetes para ver o Varekai, espectáculo do grupo Cirque de Soleil. Posso dizer, e falámos sobre isto no regresso para casa, que pela primeira vez na minha vida não foi só expressão a expressão "ficar de boca aberta", porque fiquei.

É absolutamente fantástico e um dos melhores espectáculos a que se pode aspirar assistir. É desde o início um sonho flutuante, em que a cor nos inunda os sentidos criando a sensação de um cheiro a magia...

Nada parece ser deixado ao acaso no mundo Cirque de Soleil, porque mesmo as personagens que já não estão em cena não desmancham o "boneco". Para além de mágico, profissionalismo é regra.

Foram duas horas e meia de circo, não dei por isso.

Vale apena ver esta pequena amostra tirada do Youtube, se bem que não se compara nem de perto nem de longe a estar lá a assistir.

"Starlight", Muse



Este tema tem feito parte dos meus dias. Acompanha-me na viagem até Lisboa, para o trabalho e toco-o com os meus amigos, nós, que queremos ter uma banda chamada Amnésia.

Tem qualquer coisa de esperança. Tem qualquer coisa de apaziguador.

Viva a vida.

terça-feira, maio 26, 2009

O meu mal é sono

Às vezes pergunto-me qual será a sensação de adormecer em paz. Fechar a luz e dormir sem ser atormentado pelos fantasmas que vagueiam neste navio coberto de lodo, preso na maré baixa.

É aos uivos de chicote que muitas vezes se doma a mente perdida por merdinhas ou lá o raio, que por vezes só queria estar quieto. Dizer "até amanhã, que agora vou dormir". Mas isso não existe, porque o tempo urge e eu quero estar acordado (para o ver passar).

Às vezes sonho com um gigante relógio na minha sala, para eu puder apreciar os esplendor do tempo. Vê-lo passar, como só ele sabe fazer. Comparem-no ao espaço; é claro que o espaço é impressionante e nos arrebata, como quando chegamos a um sitio enorme, que nos esmaga pelo tamanho, pela imensidão. Mas o tempo é minucioso e comanda tudo. É ele que no leva do hoje para amanhã!

Mas não confundir - é a saudade que nos leva ao passado, é o sonho que nos leva ao futuro. O tempo só nos leva para a página seguinte.

Por fim, concluo: tenho sono e devo ir descansar, assim o cansaço me vença.

domingo, abril 19, 2009

Control, um excelente biopic!

E enfim, vi o Control - o biopic sobre o vocalista dos Joy Division, Ian Curtis.
Baseado no livro Touching From a Distance, escrito por Deborah Curtis, viúva de Ian, o filme gira em torno da existência do músico até à data da sua morte.

Reflectindo um pouco sobre o filme, é a perfeita fotografia animada, mas fixa na essência do protagonista; depressivo, fechado, melancólico e nostalgico, como que a querer a cristalização do tempo que foge ao seu controle, o acaso que é a existência - imprevisível. É também uma foto animada, cinzenta, como se o realizador, Anton Corbijn, cedesse à tentação de dar vida ao seu habitual retrato preto e branco.

Mais do que uma descrição sobre as loucuras e vivências de uma banda em tournê e em puro crescimento, a história centra-se na ambiguidade que sempre caracterizou Ian e na destruição do seu casamento (ou não fosse o filme baseado no relato de Deborah sobre o cantor...), devido à sua doença e ao relacionamento extra-conjugal com a jornalista belga Annik, de quem não conseguia abdicar. Os ataques epilépticos eram a âncora que arrastavam Ian Curtis para a vulnaberidade, para um estado de nudez.

De acordo com as críticas que li, parte do sucesso da história deve-se ao grande desempenho do actor principal, Sam Riley, e confirmam-se - Sam capta na perfeição a imagem de descontro-lo que se instala na mente do jovem músico e transmite-nos o medo num olhar ora vazio, ora assustado, os estados que sempre acompanharam a existência do falecido mas nunca esquecido, Ian Curtis.

sexta-feira, abril 17, 2009

Long time...

O tempo tem faltado - vou suspirando porque tenho visto muito que devia tomar lugar aqui. Hoje olhei para o calendário e apercebi-me que já estão quase dois meses passados desde o último post.

A única forma de emendar isso, é recuperar o ritmo, voltar a escrever.

A lista de filmes já vistos entretanto é grande, estando ainda na memória o Batman - O Cavaleiro das Trevas, O Casamento da Rachel e um dos melhores filmes que vi nos últimos anos: Milk, uma história que teima em ser descrita Gay, mas que não devia ser olhado como uma longa-metragem exótica, antes como um novo olhar sobre uma coisa que deve ser encarada com a naturalidade implícita no filme. Se já me agradava a forma como era encarada a homosexualidade na série Sete Palmos de Terra, em Milk há amor e sexo, à margem de qualquer sentimento de descriminação - há naturalidade.

A história é óptima e melhor é o desempenho do protagonista Sean Penn, que mimetiza na perfeição Harvey Milk.

Num universo substâncialmente diferente, está Marley and Me; um filme que tinha tudo para ser só mais um daqueles títulos domingueiros, intervalado com idas à rua para comprar pão e café, mas consegue transformar-se numa história interessante, a partir do momento em que transcende a simples história "com cão".

À premissa de filme sobre um cão, junta-se uma grande dose de realidade, sobre um cão que é diferente dos outros apenas por pertencer aos protagonistas (porque o nosso cão é sempre especial, mais inteligente e, frequentemente, só lhe falta falar...) e sobre uma família que atravessa problemas e crises comuns. A dificuldade de conjugar os objectivos individuais com as necessidades do agregado, a dificuldade de criar crianças e ter uma vida profissional, as insatisfações e mudanças de planos... o dia-a-dia.

Para concluir, a nova série que tem habitado o leitor de DVD´s cá de casa, durante os últimos tempos: How I Met Your Mother. É a história de um tipo (Ted Mosby) que conta, num futuro algo distante, aos seus filhos a história de como conheceu a mãe deles. No entanto, nunca chega a esse momento e dispersa-se em episódios da sua juventude, com o seu grupo de amigos. Diversão e gags divertidos.

E muito mais vi, muito mais li, muito mais ouvi, muito mais há para conhecer...

domingo, fevereiro 22, 2009

"Hang The Cyst" - The Last Shadow Puppets

Recordo-me de ir ver os Arctic Monkeys ao Coliseu de Lisboa e ler nos dias seguintes, com entusiasmo, que com certeza a banda britânica já tinha conquistado o público português. Ainda mais certo era que Alex Turner, vocalista e guitarrista do grupo, ficaria por muitos e bons anos ligado à indústria da música, para lá da existência da banda.

Pouco tempo depois descobri este projecto paralelo. Muito bom.

Arrojado, pela forma como vai buscar elementos clássicos da música, fugindo à pop e, acima de tudo, àquilo que se conhece dos projectos mais rockeiros da dupla de músicos.

"Ulysses" ao vivo; Franz Ferdinand

Este é um dos meus favoritos de ultimamente - tem passado na rádio com frequência e é bastante viciante.

E porque estão na berra, estão aí, a Blitz dedicou-lhes espaço no número deste mês e entrevistou-os. Os rapazes gostam de pechinchas e de se divertir com aquilo de que mais gostam: a música.

Para eles a festa não é no backstage, depois do concerto. É em palco que estão a bem, é lá a animação.

Uma curiosidade da entrevista foi a sessão fotografica ter decorrido num hiper-mercado Lidl, onde, dizem, encontram pechinchas e muita côr, um ambiente colorido.

You Should Never Leave Me, Slimmy

Há dias lembraram-me deste tema, muito bom e que ganha nova vida nesta versão acústica. Aliás, a conversa original aludia a esta visão que se pode dar a um tema sem o deixar morrer, só porque se tiram os instrumentos eléctricos. Há uma grande honestidade em fazer música assim, em interpretar temas neste formato.

Este "You should never...", por exemplo, fica com uma beleza arrepiante em formato acústico.

Viva a música.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

"Dois homens e meio"; série cómica

Ultimamente, cerca das 20h40 da noite, hora de jantar, é hora de ver o "Dois homens e meio", série cómica sobre dois homens solteiros e o filho de um deles.


Charlie Sheen protagoniza esta série juntamente com Jon Cryer e Angus T. Jones. Sheen faz de solteirão endinheirado, com tudo o que isso representa no universo "hollywoodesco", enquanto Cryer é o irmão divorciado que se muda lá para casa juntamente com o seu filho Jake (Angus T. Bones).

Embora nas sinopses que li sobre a série se fale em "amor pela criança" e "objectivo comum: criar Jake", a verdade é que se trata mais de um adequar às circunstâncias de um divórcio indesejado. Mas tudo é contornado nesta união dos três personagens (os dois homens e meio), que partilham experiências entre si, já que se encontram em fases diferentes das suas vidas e manifestam gosto distintos.

O humor não é particularmente refinado, nem o estilo é inovador. É uma comédia ligeira, sem grandes apontamentos à escrita, nem ao desempenho dos actores.

A título de curiosidade, acrescentar que Jon Cryer foi um dos candidatos favoritos ao papel de Chandler Bing, personagem DA série, a muito apreciada cá por casa, "Friends".

terça-feira, fevereiro 17, 2009

"Fruit at work", gestão moderna


Desconhecia esta práctica: empresas que para além de terem máquinas automáticas de café, de comida, ou "fontes" de água mineral para uso dos empregados a custo zero (ou baixo custo), põe à disposição do pessoal caixotes de fruta.

No sítio novo onde estou a trabalhar este conceito já é aplicado, embora em pequena escala.

Porque achei a ideia interessante, e já tinha reparado na marca impressa nos caixotes da fruta, fui pesquisar na internet que empresa é esta, a Fruit@work.

A ideia é divertida e acompanha uma série de novas medidas que as empresas começam a desenvolver, como sejam creches para os funcionários deixarem os filhos (e as vantagens aqui são óbvias), ginásios com condições especiais, lições de línguas gratuitas (no caso da minha empresa já existem e há a possibilidade de as frequentar à hora de almoço), etc.

Independentemente de qualquer discussão que se possa aqui começar (devido ao número de horas que passamos nos escritórios) a verdade é que bom saber que as empresas tentam equilibrar o ambiente no local de trabalho com medidas inovadoras e potenciadoras de maior satisfação dos trabalhadores.

Esquecendo por instantes a crise, os baixos ordenados e despedimentos, interessem-se pela conceito fruit@work e espreitem o site da empresa em: http://www.fruitatwork.pt/. Nada melhor para perceber e conhecer melhor.

domingo, fevereiro 15, 2009

"Phalasolo", New Max

Este é um dos álbuns para ouvir amanhã na viagem até Lisboa.


New Max pertence(u) aos Expensive Soul e lança-se a solo com este álbum, disponibilizado na internet para download gratuito em http://www.phalasolo.com/.

Ainda só ouvi o tema single, "América Eléctrica", que tem passado com muita insistência na Antena 3.
Em baixo, o clip.


"Conversa de botequim", por Couple Coffee

Ouvi hoje na televisão este tema, interpretado por esta dupla brasileira. Já estive entretanto a ver no youtube outras versões da música, que ainda não percebi se é um original do Chico Buarque.
De qualquer modo, gostei acima de tudo da forma como o baixo acompanha a voz. É uma visão diferente desta música, especificamente, ou da música em geral.

Para além destes vídeos do Youtube, é interessante ver a página do myspace da banda (http://www.myspace.com/couplecoffee), que honestamente conheço mal, mas estou interessado em saber mais.

Versão estúdio, com teledisco



Versão ao vivo

Vampire Weekend, música para carrocel

O que é que acontece quando se junta a brit-pop com música de feira? Os Vampire Weekend.

Este tema muito específico, por exemplo, lembra-me um daqueles filmes em que a certa altura há um bailarico e toda a gente salta para dançar.

Muito divertido.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

"Dois dias em Paris"; um é pouco, dois é bom, três é demais

Julie Delpy escreveu, realizou e protagonizou esta história, um filme de categoria B, sobre a fragilidade das relações e de como são permeáveis a crises, partindo do princípio de que vale mais dizer a verdade, por mais amarga que seja, do que ser confrontado com as situações mais tarde, quando já tudo soa a mentira.

Apesar de parecer, pela descrição inicial, um drama, trata-se de uma comédia romântica, muito distante daquelas histórias ligeiras e sensaboronas em que sabemos de ante-mão que no final o rapaz fica com a rapariga e que tudo acaba em bem. Este casal vê-se confrontado com o desconhecimento que ambos têm um do outro, quando vão dos EUA para Paris (terra-natal de Marion) e Jack começa a ver a sua namorada com outros olhos e a debater-se com este "nova pessoa" que ele não conhece e com que não sabe lidar.

As discussões sucedem-se umas atrás das outras e entre os pequenos "gags" que vão surgindo, fica a dúvida se haverá solução para este casal.

A fotografia dá ares de documentário, o que favorece o filme, quanto a mim, que acho que juntamente com os outros condimentos faz deste filme uma comédia romântica "sui generis".

Divertido e emotivo, uma história engraçada para ver a dois.

"Maria Cheia de Graça"; depois da tempestade vem a bonança

Antes de mais, fazer o apontamento que me faz não começar o texto por dizer que o filme é espectacular: o final é bom, mas acho que esperava um final mais dramático.

Posto isto, adiante; a história gira em torno do correio de droga proveniente da América do Sul, mais concretamente da Colômbia. Seguimos a história de Maria, uma jovem de 17 anos que vive na miséria, numa vila do interior do país, numa casa pequena e que sustenta a sua família com o ordenado que ganha a tirar espinhos de rosas para exportação. A situação agrava-se (e um cliché é sempre um cliché, mesmo quando se gosta de um filme...) quando Maria engravida do seu namorado.

Com um futuro pouco risonho, decide agitar o marasmo juntando-se a outras "mulas" (como lhes chamam), que têm por missão entrar nos EUA com elevadas doses de droga no estomâgo, missão de grande risco porque o menor contacto da substância com o organismo e é morte certa. Cedendo ao apelo do dinheiro, a jovem acaba por se ver envolvida em algo muito maior do que ela supunha, desde as situações que decorrem durante a viagem aos sentimentos que vão surgindo à medida que se afasta do seu lar e da sua terra natal.

Talvez até resida aí a lógica do final da história. Se calhar porque eu não vi o "bright side" da situação, não percebi o final, que, tal qual a minha cara metade deprendeu e sugeriu, remete para a esperança e para a necessidade de se ver o lado positivo das coisas, extrair algo de bom de tudo o que acontece.

Se calhar só assim, esta Maria pode ser uma Maria cheia de graça.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Cobertores feitos de material reciclado


Ouvi há dias na rádio, no programa Terra à Vista, de Raquel Bulha (Antena 3), uma notícia que dava conta de uma fábrica de Famalicão que estava a usar a fibra resultante da reciclagem de garrafas de plástico para produzir cobertores.

O projecto ainda está em fase de produção experimental e a empresa está a enviar amostras para tentar conseguir a melhor proposta de venda dos direitos exclusivos.

Uma das curiosidades do produto, é ser apresentado dentro de um garrafão, também reciclado, imitando os normais garrafões de água.

Entretanto, de acordo com o que vi na página online brasileira "Portal aprendiz", a ideia já está a ser explorada no Brasil.

De acordo com o site, o aluno Luiz Martins, do Colégio da Polícia Miliar Ayrton Senna, de Goiânia, desenvolveu um projecto no qual se formou um cobertor a partir de "tiras retiradas de sacos de plásticos".
"Além dessas vantagens, o cobertor custou cerca de R$ 7, enquanto que um edredom de qualidade custa de R$ 30 a R$ 40", termina a peça.
Seja como for, a ideia é boa para ser explorada já que é uma boa forma de dar uso ao lixo que produzimos. Material reciclado e energias renováveis - é este o futuro.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

"Era uma vez um rapaz", era uma vez um filme

"Diabos me levem se devolvo o filme sem o ver todo!", decidi há dias, sobre este filme que me emprestaram há pouco tempo e que eu insistia em não acabar.

O que vemos nesta história é o Hugh Grant a fazer de Hugh Grant a fazer de trintão londrino, rico e irresponsável (não, a repetição não é uma gralha). A vida dele é escolher roupa, conduzir o seu carro desportivo e engatar mulheres.

No entanto, as suas rotinas mudam quando conhece uma criança de 12 anos, cujo lar é afectado por problemas psicológicos da sua mãe, que por sua vez tenta o suícidio. O rapaz não tem pai e sofre as dores da sua progenitora, vendo na relação com Grant uma saída para contornar os seus problemas.

Inicialmente, ainda achei que fosse gostar do filme, porque a história tinha alguns condimentos para se tornar interessante. Só que não é, não se torna. De facto, Hugh Grant é um actor que não aprecio e estas comédias ligeiras de domingo à tarde começam a tornar-se demasiado enfadonhas para eu conseguir dar alguma atenção. Acho até que só por pura teimosia consigo resistir à tentação de não acabar de os ver.

Tenho também que confessar que tinha alguma esperança que o final me surpreendesse, porque apesar de tudo a história tem um qualquer elemento exótico que faz acreditar num desenvolvimento diferente do mais que previsível desfecho perfeito. Puro engano.

Agora, termino o texto a considerar rever o Quatro casamentos e um funeral, para desempatar "a coisa" e para ver se é possível recuperar algum crédito a Hugh Grant. É que já não me lembro da história, mas guardo a imagem de um bom filme.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Pérola jornalística

Hoje dei comigo a ler mais uma "não" notícia num dos jornais que por cá se lêem - por sinal um gratuito, que por muito que se debata, não têm menos responsabilidades que os outros.

A notícia era, então, sobre um assalto ao Tozé Martinho, personagem que para a miudagem de hoje (e incluo-me nesse lote) não passa de um nome desconhecido - incluo-me no lote, mas eu sei quem é.

Ao ler que o bom velho Tozé tinha sido assaltado imaginei-o vítima de car-jacking ou assalto à mão armada. Mas não. Afinal o actor estava descansado num clube, no Monsanto, enquanto o seu veículo era furtado, não sofrendo mais que um vidro partido devido a uma pasta que se encontrava no seu interior.

Julguei eu que o ridículo ficasse por ali. Engano meu. O jornalista que "sacou" este "furo", este pequeno apontamento jornalístico, conseguiu ainda acrescentar que uma vez que Tozé Martinho se vai ver sem viatura por uns dias, deslocar-se-á durante este período num Smart.

Acho que a economia melhorou depois de todas estas revelações e sabe-se que Obama já tomou estes factos em consideração no seu plano de recuperação da economia mundial.

Dorme agora, o mundo, em paz.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Sexual Healing

A minha sugestão é a seguinte: no final do dia, depois do trabalho, depois de deitar os filhos ou lá o que for, chame a sua/seu cara metade para junto de si, vejam este vídeo e...

Freddie Mercury improvisa

É ouvir.

Outlaw torn, James Hetfield

A verdade é que se brinca muito com as tendências country do James Hetfield, mas por mim ele pode criar um projecto paralelo de Wiskey-Rock, que ninguém lhe leva a mal.

Beat it

Um dos melhores temas da história da pop. É ver e rever e tentar perceber o que raio aconteceu a Michael Jackson.

O homem já foi grande, a verdade é essa.

Two men show

Como eu invejo tanta criatividade...

Tenacious D

Caraças, que até dá vontade de tocar bateria!

Um pequeno apontamento


Hoje fui a Lisboa tratar de alguns assuntos pendentes.
No regresso, dirigi-me à bilheteira da empresa de transportes que se pode ler no "boneco" em anexo. Depois de 15 min de espera, a ver a pessoa à minha frente torcer-se toda porque eles não encontravam um papel qualquer que deviam entregar, fui atendido - pedi um bilhete para Mafra. E não é que não vendem bilhetes na bilheteira? Uma bilheteira que não vende bilhetes serve para quê?
Enquanto fazia tempo para o autocarro, fui dar um pequeno passeio pelo Campo Grande e tive oportunidade de assistir a uma detenção a sério. Foi a primeira vez que vi alguém ser algemado. Tive uma terrível vontade de me juntar à operação e gritar "You have the right to remain in silence"...
Por fim, e há apenas umas horas atrás, estive a percorrer algumas estradas aqui das redondesas de Mafra e fui apedrejado todo o caminho. A estrada estava coberta de branco, de gelo.

Megafone - Aboio; vídeo não oficial


Feitas que já estão todas as homenagens ao malogrado João Aguardela, há que relembrar agora o que de mais importante ele deixou: a sua obra, a música, o que fica para a posteridade.

Que é, também, para não se fazer aquela coisa do costume, que é dizer "coitadinho, que era tão boa pessoa", depois de já cá não estarem.

Lamentar? Claro.

Ouvir e descobrir quem foi Aguardela? Com toda a certeza.

Este vídeo, por exemplo, é um belo trabalho que o artista nos deixa, através do projecto Megafone e que faz valer apena perceber, num contexto de actualidade, essa constante luta que o músico sempre travou, que é a defesa da música portuguesa.

O estranho caso de Benjamin Button - fui vê-lo ao cinema e recomendo

“O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!", disse Fernando Pessoa, num momento que só pode ser descrito como de lucidez.

O estranho caso de Benjamin Button é, quanto a mim, um dos filmes mais bonitos que vi nos últimos tempos. Porque tem uma história muito bonita, muito bem contada, porque é tudo retractado numa fotografia sem mácula, e porque não há incoerências – o filme não é demasiado longo, a caracterização é perfeita e os actores estão ao melhor nível. Estou a rebater as poucas críticas que ouvi e li.

A história, que já quase toda a gente deve conhecer em linhas gerais, fala sobre um indivíduo que nasce com 80 anos e atravessa um processo de rejuvescimento, ao contrário do normal envelhecimento.

Exercício teórico de inverção do tempo, da natureza.

Li algures que Mark Twain juntou-se aos que imortalizaram considerações sobre tempo e a idade com a frase “a vida seria infinitamente mais feliz se nascêssemos com 80 anos e nos aproximássemos gradualmente dos 18”.

Mas também li que E.F. Scott Fitzgerald, autor da obra que inspirou o filme, respondeu a estas ideias e desejos de inversão do tempo com esta obra, levando à conclusão que independentemente do sentido em que o nosso corpo se desenvolve o princípio e o fim estão lá de qualquer forma, no mesmo lugar – nascemos e morremos. Ou seja, continua a depender de cada um viver cada fase da sua vida, cada coisa no seu tempo, cada qual no seu lugar. Tudo continua a ter um tempo para ser vivido.

O resto do filme é o óbvio: é a questão do desencontro com o resto do mundo, já que à medida que Button rejuvesnece, todos os que o rodeiam vão envelhecendo, afastando-se da flor da vida (e quando é essa, afinal?), e claro, o romance entre os protagonistas, que acaba por servir de cenário a toda a trama.

“Eu nasci sob circunstâncias pouco usuais” é a frase que abre o filme. Eu uso-a para fechar o meu texto.

sábado, janeiro 31, 2009

Bob Dylan e Will.i.am juntos em campanha da Pepsi



Já lhe chamam vendido por se ter associado a uma campanha publicitária - Bob Dylan vai gravar um anúncio da Pepsi com Will.i.am, dos Black Eye Peas, contrariando a sua veia revolucionária e crítica da sociedade e dos seus defeitos de consumismo, entre outros aspectos menos positivos.

O anúncio televisivo será apresentado oficialmente neste fim-de-semana, no Super Bowl, onde os dois actuarão, dando vida ao tema "Forever Young", um clássico do cantautor norte-americano.

A notícia foi avançada pelo revista inglesa New Musical Express, que anúncia ainda que a Pepsi estará em vias de comercializar esta nova versão da canção no iTunes.

Embora seja de âmbito diferente do lançamento do álbum dos Sígur Rós - como frisei e insisti num último post-, a verdade é que a indústria da música continua a desenvolver-se ao ritmo da necessidade de sobrevivência e da necessidade de procurar outras formas de chegar às pessoas, mantendo lucros. Neste caso, recupera-se a associação das grandes bandas ou artistas mundiais à publicidade, espaço que entretanto tinha ficado reservado a bandas em início de carreira.

Se não estou em erro, a última grande campanha publicitária à escala mundial foi precisamente lançada pela Pepsi, em associação com Michael Jackson, ainda nessa altura o "Rei da Pop".

Ainda me recordo de andar com uma pequena cassete branca no meu velhinho Walkman, um single promocional dessa campanha, com músicas do negro mais branco da história. Também recordo que começou aí o declínio da carreira do "Rei" com todos os escândalos que o envolveram, bem como a evidente falta de qualidade dos trabalhos que entretanto eram editados, que com o passar do tempo iam quebrando o estatuto de realeza de Michael Jackson.

O que esperar então de Bob Dylan depois deste trabalho? É dificil prever, sobretudo numa altura em que já começa a ser criticado pelas suas prestações em palco, que vão denotando a idade avançada.

Mas também é verdade que, ao contrário de Michael Jackson, Dylan já mostrou uma enorme capacidade de se reinventar e de ultrapassar períodos menos positivos na sua carreira - julgo até estar em condições de afirmar que ele já faz o mais difícil: contrariar a idade, enganar a morte, continuar a vender discos e suscitar paixões.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

AC DC

Antes de mais, não, não são vídeos a mais.

Depois, tudo bem que não são a melhor banda do mundo, ou que estão fora de moda, ou que o Angus Young não será o melhor guitarrista do mundo, mas... continua a ter um feeling do caraças!

Stevie Wonder

Já tinha ouvido dizer que o Stevie Wonder tocava os instrumentos todos nos seus discos.

Pode ser cego, mas não é maneta, caramba!

MITCH MITCHELL _January 9 1969 (Sweden)

Tudo começa na bateria. Tudo começa num solo de bateria tresloucado, nos anos 60. Acaba numa jam. Numa sessão de improviso rumo à eternidade.

Solo de...tarola

Sim, é verdade que há milhares de vídeos no Youtube com solos de bateria muito mais elaborados, com pedal duplo e números de acrobacia. Mas achei este muito giro. Um punk rocker a brincar aos Stomp.

Compilação dos Sigur Rós distribuída com jornal

De acordo com o Disco Digital, o jornal inglês The Independent vai oferecer na edição de amanhã uma colectânea dos Sigur Rós - "We play endlessly" é o título e reúne nove temas da banda islândesa.


Isto só é notícia porque são os Sigur Rós, porque a verdade é que já há muito que os jornais distribuem cd´s com compilações, pelo que a comparação que o Disco Digital faz entre o lançamento desta compilação e o último álbum do Prince (cujos direitos foram vendidos a um jornal, não estando disponível em mais lado nenhum) não faz muito sentido.

O álbum do Prince foi um trabalho de originais lançado de forma absolutamente inédita - embora o Prince não o tenha distribuído de forma gratuita, como se diz. Ele vendeu os direitos do trabalho ao jornal, que por sua vez o distribuiu como brinde de um jornal que é pago. Portanto, o artista não ofereceu nada.

Este lançamento agora, é uma compilação. É diferente, porra.

É bom lembrar a colecção "Fados do Público". Uma grande colecção, muito bem editada, bem desenvolvida e que cruzava o fado de várias gerações e estilos. E quando refiro o termo estilo para dividir o fado, corro riscos; porque diz o povo que o fado é único. Mas não é. Do corridinho ao fado de Coimbra, vai uma longa distância.

Ainda sobre os Sigur Rós, resta acrescentar que a compilação traz três temas de "Með suð í eyrum við spilum endalaust" (2008) e de "Takk..." (2005), duas de "Hvarf/Heim" (2007) e uma do EP "Ba Ba Ti Ki Di Do" (2004). E ainda que estão a trabalhar num novo DVD com Vincent Morisset, o realizador de "Mirror Noir", dos Arcade Fire.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Jogos Sem Fronteiras

Para quem o nome Euládio Clímaco não passa de um nome de medicamento ou rebuçado de mentol, um aviso: não continuem a ler que isto não vos interessa. Aos que reconhecem o nome, relembrem que o Verão siginificava há uns anos atrás não só imperiais e esplanadas, mas correrias loucas piscinas acima, superfícies escorregadias percorridas com objectos difíceis de equilibrar e fatos de licra justos. Demasiado justos. E pequenas reportagens sobre cidades, que passavam a figurar entre os destinos imaginários de viagens imaginárias, num futuro imaginário. Era tempo de assistir aos Jogos Sem Fronteiras.

Os Jogos Sem Fronteiras (JSF) eram um programa de televisão criado por Guy Lux, Pierre Brive, Claude Savarit e Jean-Louis Marest que era transmitido pela RTP1. Pelo que li na Wikipedia, estes jogos foram originalmente pensados pelo general francês Charles de Gaulle e tiveram a sua primeira emissão em 1965. Eram uma espécie de Jogos Olímpicos, onde cada país era representado por uma cidade.

Se bem me lembro, deixei de ver os JSF há já muitos anos e pelo que li os jogos terminaram em 1999, o que parecendo que não, já foi há 10 anos. No entanto, em 2006 a União Europeia de Radiodifusão terá anunciado a intenção de retomar as transmissões deste programa. Mas segundo a sempre controversa Wikipedia, a intenção foi confirmada em Janeiro de 2007, estando prevista a emissão para 2008 - o que não se verificou, segundo me parece.

E porquê? Porquê estar para aqui a falar em Jogos Sem Fronteiras? Porque há um par de dias estava a ouvir a Prova Oral, do Fernando Alvim, e estava a divertir-me com o facto de não haver tema e de o Alvim estar a explicar que era tema livre e que isso tinha sido decidido em reunião de grupo - segundo ele ficou decidido que o programa teria tema livre, tantas as vezes que não houvesse convidado. Vai daí, surgem os Jogos Sem Fronteiras na conversa, num claro exercíssio de fait-diver, expressão que por sinal deve ser lida à francesa.

Isto fez-me lembrar dos Jogos e pensei: então e porque não levar à Prova Oral alguém que tivesse concorrido ao concurso e perceber em que medida é que isso mudou a vida dessa pessoa - como se calcula, não terá mudado em nada e faço esta nota para não me acusarem de ser um idiota ou um cretino. Mas convenhamos, era um tema giro.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Sting Monroe, no Myspace

Continuando a espreitar as páginas myspace que estão associadas à minha (www.myspace.com/3535project), redescubro um projecto muito interessante intitulado Sting Monroe. Pelo que sei, é um projecto solo saído da mente de Dennis, vocalista dos Slime Fingers - ele parece querer fundir o rock e os sons mais pesados com música electrónica.

Principal destaque para os temas "Honey" e "Hate You", este último o meu preferido, que tem em alguns momentos uma sonoridade arábica e muita raiva em forma de música.

A acompanhar.

domingo, janeiro 25, 2009

Mallu Magalhães, carreira via myspace

Mallu Magalhães parece ser o último fenómeno musical saído do anonimato para a ribalta "via" myspace. Esta jovem brasileira, e pelo pouco que ouvi na Antena 3, conquistou atenção pelo número de "views" que a sua página teve. A verdade é que parece ser muito talentosa e não se isola na MPB nem no "tropicalismo", como preconizaram alguns dos seus conterrâneos. Se é de apreciar a defesa pela identidade cultural, também é uma lufada de ar fresco ver a música brasileira fundir-se a outras sonoridades.

Um dos factos mais mencionados sobre Mallu Magalhães é a sua jovem idade - a brasileira conta apenas 16 anos de vida. É um lugar comum, mas não menos verdade, que o que lhe falta em anos, sobra em talento.

Passou pelo nosso país na passada sexta-feira. Actuou na BlueStore, no Porto.

Mute Math lançam álbum pela Warner Bros. Records

Estive hoje a ver algumas dos grupos que estão associadas à minha página do myspace e descobri estes Mute Math, banda norte-americana de New Orleans que lançaram o álbum de estreia, aparentemente ainda não comercializado em Portugal.


Pela amostra, trata-se de uma banda pop-rock, mas que tem algumas marcas que tornam a sua sonoridade algo distinta das restantes. A um som marcado pelos standars da pop mais rockeira, juntam-se algumas influências de Radiohead e aquilo que me parece ser o rock progressivo da década de '70 - embora sejam sempre reminiscências dessa sonoridade, uma vez que o som é bastante actualizado.

"Diário de uma paixão monologada", por Ana Brilha

A notícia é tudo menos nova, mas ainda assim, motivo de destaque aqui pelo burgo. Foi no verão passado que saiu pela Chiado Editora Diário de uma paixão monologada, de Ana Brilha. Trata-se de uma amiga, digo eu, e uma "jovem escritora e advogada, que ganhou recentemente o prémio Literário da Ordem dos advogados, com a obra Memórias de um corvo", descreve a editora no seu sítio na internet.

A obra reflecte os dois lados de um amor, "dela" e "dele", sempre num contexto de actualidade, sentimentos nos dias de hoje.

Ainda não tive oportunidade de o ler, mas li as Memórias de um corvo. Foi ainda antes de a conhecer e embora tenha sido escrito a pensar em Lisboa como cenário, confidenciou-me a própria, a mim serviu-me de companhia num período em que estive mais ligado à Ericeira e ao mar que a banha - era lá que imaginava a acção a decorrer, naquelas ruas estreitas, naqueles prédios baixos.

Quando a conheci, estava a Ana a concluir a sua última obra e já me falava noutros projectos que gostava ver editados. Já este livro está nas bancas há uns seis meses e já tem outros trabalhos em carteira. Na era do blog e do consumo rápido, ainda é bom ver alguém lançar-se na aventura de escrever um livro.

Parabéns, Ana.

Anedotas e psiquiatria

Estava a pesquisar anedotas, à procura de uma muito divertida que vi no filme "Descongela-te!" e acabei por tropeçar nesta...


Quantos psiquiatras são necessários para mudar uma lâmpada? Apenas um, mas a lâmpada tem mesmo que querer mudar...

"Descongela-te!" - rir até perto do fim

Eu tenho um problema com os filmes - por muito bom ou mau que um filme seja, acabo sempre por imbirrar com o final da história. O mesmo se passa com este "Descongela-te!", uma história muito divertida, em espanhol, que conta a história de um actor com grande talento para imitações. Ele é convidado por um realizador de cinema para protagonizar o seu próximo filme e Justo, o actor, e a sua família acreditam que chegou a hora de sair do anonimato e dos problemas económicos que os atrapalham. No entanto, uma comédia só é comédia se seguir a lei de Murphy, que diz que "O que puder correr mal, vai correr mal". O sonho complica-se na noite anterior à assinatura do contracto...

A questão é que a ideia inicial é muito boa e o enredo é muito bem desenvolvido, com umas personagens muito bens construídas e diálogos divertidos. O filme consegue fugir às comédias blockbuster, quanto mais não seja porque é espanhol e retracta uma realidade diferente do que costumamos ver. Só que tem um final fraco. Ou que pelo menos me desiludiu um pouco, porque estava à espera de algo diferente. Algo que correspondesse ao resto da história.

"Descongélate!" (2003 - 92m)
REALIZADORES: Dunia Ayaso, Félix Sabroso.
INTÉRPRETES: Pepón Nieto, Candela Peña, Loles León, Rubén Ochandiano, José Ángel Egido, Óscar Jaenada, Pilar Castro...

sábado, janeiro 24, 2009

"Vigaristas de bairro" - uma vigarice de filme

Ontem a decisão teve que ser tomada. Não podia continuar a ver quatro filmes ao mesmo tempo. Assim, eu e a minha cara-metade resolvemos terminar o filme do Woody Allen, embora temendo a sonolência que ele provoca. A verdade é que eu gosto bastante do Woody (um amigalhaço) mas ele que me perdoe - este filme é uma ideia de génio, razoavelmente bem desenvolvida e muito mal terminada.
A história gira em torno de um grupo de "Bandidos de bairro", que querem enriquecer com um golpe perfeito. É então que
que desenvolvem um plano para assaltar um banco, montando um negócio numa casa ao lado e cavando um túnel para chegar ao cofre-forte. O esquema vai sofrendo vários contratempos, mas o negócio paralelo prospera e fá-los enriquecer. A questão é que o restante do filme gira à volta do novo-riquismo, caindo numa série de lugares comuns e termina de forma desinteressante. Fez-me até lembrar um outro filme do mesmo realizador, o Hollywood Endings, que também tinha a particularidade de ter um daqueles finais em que na última cena tudo se resolve do pé-para-a-mão e acaba em bem, só porque sim. Mas aí, parodeava-se esse espírito de "finais à Hollywood", o que devolvia a genealidade ao criador. Aqui não. Aqui fica-se com a ideia que Woody (um amigalhaço) teve uma grande ideia para uma comédia, e não a trabalhou.

Desculpa Woody. O Matchpoint eu ainda papei. Este já não dá.


REALIZADOR
Woody Allen

INTÉRPRETES
Woody Allen, Tracey Ullman, Tony Darrow, Hugh Grant, George Grizzard, Jon Lovitz, Elaine May, Michael Rapaport, Elaine Stritch.

Entrevista com Freddy Mercury

Eu nasci em '83, pelo que não vivi muito os anos oitenta. Vivi, essêncialmente, através dos meus irmãos, todos mais velhos, através de lembranças distantes e de muita leitura, investigação.

Aparentemente, em '83 usavam blusões de cabedal, bigodes farfalhudos e fumava-se durante entrevistas de televisão - o blusão passava, mas o bigode e o cigarro não escapava à ASAE...

"Nigga" - Da Weasel, no Pavilhão Atlântico

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Código de barras

Ora aqui está, uma pequena provocação e uma ideia importante. Os códigos de barra fazem parte do universo de coisas a que não ligamos ou não damos importância, mas que são fundamentais para o funcionamento das nossas vidas. Não temos noção de como o sistema de vendas está dependente deles e nem nos apercebemos da indústria e do capital que movem, não só por estarem ligados ao mercado, mas por si mesmos - em termos de negócio da certificação, chamemos-lhe assim.


















"Às 8:01 da manhã de 26 de junho de 1974, um cliente do supermercado Marsh's em Troy, no estado norte-americano de Ohio, fez a primeira compra de um produto com código de barras. Era um pacote com 10 chicletes Wrigley's Juicy Fruit Gum. Isso deu início a uma nova era na venda varejista, acelerando os caixas e dando às companhias um método mais eficiente para o controle do estoque. Aquele pacote de chiclete ganhou seu lugar na história e está atualmente em exibição no Smithsonian Insititute's National Museum of American History (em inglês). Aquela compra histórica foi o ponto de partida para quase 30 anos de pesquisa e desenvolvimento."
(in Wikipedia - leiam mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Código_de_barras, e fiquem saber (quase) tudo sobre as "risquinhas pretas").

A tomada de posse de Barack Obama

No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à beira de ténues fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital tinha sido abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado da nossa revolução era incerto, o pai da nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:“Que o mundo que há-de vir saiba que... num Inverno rigoroso, quando nada excepto a esperança e a virtude podiam sobreviver... a cidade e o país, alarmados com um perigo comum, vieram para [o] enfrentar.”

América. Face aos nossos perigos comuns, neste Inverno das nossas dificuldades, lembremo-nos dessas palavras intemporais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais as correntes geladas e suportemos as tempestades que vierem. Que seja dito aos filhos dos nossos filhos que quando fomos testados recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações.

(...) sugerem que o nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. As suas memórias são curtas. Esqueceram-se do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem fazer quando à imaginação se junta um objectivo comum, e à necessidade a coragem.

(...) A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer a América.
(Estracto do discurso da tomada de posse de Barack Obama, 2009)


Depois da posse, o primeiro dia presidência.

No discurso de ontem, Obama não falou em políticas concretas, antes enalteceu a necessidade de união do país para o desafio de recuperar a economia e a credibilidade perante o resto do mundo – céptico que está, perante o desgaste das guerras, dos conflitos armados e a economia debilitada.

Ler o discurso do presidente eleito, fez-me pensar em várias coisas.

Por um lado, leio-o com o entusiasmo que ele emana, com o optimismo que ele quer transmitir. Recorda-me um filme, o “Armaggedon”, que conta a história de um meteorito que se dirige para o planeta Terra, e em que o actor que faz de presidente norte-americano discursa sobre a união, não enquanto povo de uma nação, mas como Humanidade, para vencer a dificuldade. Ainda hoje me arrepio todo quando assisto a essa parte do filme.

Recorda-me a linha ténue, entre um discurso político e um argumento de um filme. Há poucos dias ouvi até na Prova Oral, na Antena 3, uma entrevista a Nuno Artur Silva, das Produções Fictícias, sobre os argumentistas e percebi que eles são a força escondida por detrás de muitos enredos e ideias.

Porque, “Yes we can” ou “I have a dream”, é só escolher - o importante é percebermos que sim, que as palavras podem fazer mudanças. Elas têm que ser o catalizador da acção, as dinamizadoras do mundo, enquanto transmitem energia e ânimo. Acusamos a classe política quando citamos “falam, falam e não os vejo fazer nada”, mas repudiamos o discurso tecnocrata, recheado de números e outros factos.

Talvez o mundo precisasse de um Obama em cada esquina, ao contrário de um Salazar, como alguns velhos do restelo apregoam. Um Obama, não por aquilo que ele faz, ou fará, mas por aquilo que ele representa – vontade de mudança. Para que todos acreditemos que “A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer(...)” o mundo.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Joao Aguardela

"Sob o signo da guitarra: O único grupo português que reveste o fado com uma sonoridade contemporânea, mantendo a coerência e um interesse estético. Se não é o grupo de fados e guitarradas mais atípico de sempre, é a banda pop mais portuguesa da actualidade. Uma personalidade musical lusa tão marcada que, para encontrarmos exemplos semelhantes no pop, teríamos de recuar aos casos de António Variações ou da Sétima Legião. Mas como os tempos são outros, os ingredientes distanciam-nos. A Naifa é uma banda do Portugal que vivemos. Manuel Halpern"

"Temos que perder a vergonha de sermos portugueses", disse Joao Aguardela.

Esta vida de marinheiro...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

"A Face Oculta de Mr. Brooks" - a face oculta de Kevin Costner

Um dos actores de Hollywood de que menos gosto, num filme bastante bom - é esta a minha melhor frase sobre este filme. Trata-se de uma longa-metragem que nos remete para o "vício" e para a adicção em termos gerais. Neste caso específico, o protagonista sente a necessidade de matar e convive com ela como uma doença que ele tem que controlar.Trata-se de um filme negro, mas que tem uns "gags" geniais, sem cair na muito apreciada categoria "filme de humor negro". Ou então isto é que é humor negro e esqueçam lá o Rocky Horror Picture Show... Recomenda-se sobretudo para quem goste de uma história bem contada, com um final como deve ser e a quem ache que não há um único bom filme com o Kevin Costner (ele é capaz de fazer mais do que o "Guarda-costas", ou "Robin dos Bosques").

Nem me vou alongar mais, porque acho que têm que ver o filme. Vá. Vão lá.

Primeira entrada de Janeiro

Lá voltei a estar empregado. Terminaram as minhas pequenas férias forçadas, depois do período das festas, durante o qual o blog esteve parado. Para dizer a verdade, até escrevi um texto na véspera de Natal, sobre o Natal e a sua véspera, mas o computador deu erro e o computadorescrito (à semelhança de um manuscrito) perdeu-se.
No passado dia 5, juntei-me a uma empresa chamada Marmedsa, com a qual colaboro a despachar manifestos de carga e afins, para que navios entrem no porto de Lisboa (e noutros) com autorização da alfândega. Acho que nunca ouvi falar tanto em rusgas a navios de carga como agora...
Sabe bem este compromisso do ordenado ao final do mês.

Sobre arte e afins, tenho estado a deixar passar ao lado matéria riquíssima para o blog, porque vi e li muita coisa que merece a atenção deste espaço. A esperança é de que agora, que vou ter net em casa (finalmente), possa aproveitar mais as potencialidades da escrita, sobretudo neste espaço tão nobre.

Porque há muita coisa a comentar.

Filmes, por exemplo, são alguns os que vi, os que vi umas partes e deixei a meio, os que quero ver no cinema e os que tenho em casa para ver. Já dou comigo a tomar nota do que devo escrever, mesmo correndo o risco de a distância me fazer perder alguma coisa que fosse importante dizer.

- "A Face Oculta de Mr. Brooks";
- "Era uma Vez um Rapaz" (ainda o estou a ver!);
- "Tinto da Ânfora" (não é o nome de um filme, mas de um vinho alentejano...);
- Última prova oral (com Nuno Artur Silva);
- Concerto de ano novo, no Beatriz Costa;
- "Christine", com Julia Dreyfus;
- Aniversário dos Xutos e Pontapés;
- Companhia das Índias, primeiro álbum a solo de Rui Reininho;
- Death Magnetic, último álbum de Metallica (já terei distanciamento suficiente para falar no
álbum de forma (mais) imparcial?