sexta-feira, novembro 07, 2008

MTV -Europe Music Awards


Ontem lá entregaram os Europe Music Awards, da MTV. Não assisti à cerimónia, nem tão pouco a acompanhei. No entanto, hoje de manhã tive a preocupação de saber quem tinham sido os galardoados. Não contava ter surpresas com as nomeações, porque por norma sabemos que os nomes que mais ouvimos nas rádios são os potenciais candidatos e que apenas um, por categoria, pode ser vencedor. Até aqui tudo bem.
Os Tokio Hotel, os 30 Seconds to Mars, a miúda que beija miúdas (Katy Perry) e até Barack Obama ficaram associados à entrega dos prémios, através de referências mais ou menos discretas - Jared Lito levava uma t-shirt com a figura do novo presidente norte-americano. Agora, o nome que me deixou confuso (nem me sinto indignado, mesmo só confuso) é o de Britney Spears. Como é que ela limpa três prémios, para mais quando tinha Duffy e Coldplay como concorrentes directos. Embora eu faça algum zapping através das rádios, de um modo geral, costumo ouvir a Antena 3. Também leio algumas publicações de música e vou-me informando pela Internet sobre o se vai passando nos meandros do meio musical. Estou, portanto, relativamente bem informado. Mas não estava a par do hype em torno da Britney – e a verdade é que a pop, a MTV e os prémios musicais, por norma, vivem do hype que rodeia um artista.
De resto, nada de anormal. O galardão para Melhor Banda ao Vivo foi parar às mãos dos Tokio Hotel, os 30 Seconds To Mars ganharam nas categorias de Melhor Actuação Rock e Melhor Vídeo (com o teledisco de “A Beautiful Lie”), o troféu de Revelação do Ano foi para Katy Perry, Kanye West levou a melhor sob a concorrência e conquistou o prémio para Melhor Actuação R&B ou Hip-Hop e o prémio Ultimate Legend foi entregue a Paul McCartney, precisamente na cidade que viu nascer os Beatles, Liverpool.
Quanto aos “nossos” Buraka Som Sistema, ficaram de fora da corrida para Melhor Artista Europeu. O mesmo é dizer que perderam o prémio para turco Emre Aydin.
Para o ano há mais e, até lá, vou tentar perceber onde raio tem andado a Britney Spears, ou pelo menos onde ando eu com a cabeça, que não me apercebi da recuperação da moçoila - ups, I did it again...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Super-Obama


A todos os distraídos: os Estados Unidos de America têm um novo presidente. É verdade. Podemos despedirmo-nos do sr. Bush, que já não nos vai mais atormentar na presidência norte-americana. Podemos, também, felicitar o sr. Obama, homem de carisma, assim o descrevem, que vem para inverter o estado das coisas. Só espero que a capa que lhe colocaram nas costas, aquela do seu fato de super-heroi, não fique entalada numa qualquer porta, ficando o fato para trás, bem como as espectativas que o acompanham.
Sr. Obama, parabéns e... juízo.

Um pequeno passo para o Homem...

Final da escadaria. A sombra do espaço fechado cerca a minha sombra até que esta desaparece. Vou caminhando, ritmo acelerado, para apanhar o comboio.
Escada rolante e eu navegante, em andamento, a pensar e… nada. O vazio do quotidiano a deambular por lugar nenhum.
Dentro do comboio, dentro do chão, na linha vermelha do Metro, calor e suor. As janelas só vêem o escuro e por isso os olhares cruzam-se, tímidos, à procura de um ponto discreto, sem significado, para olhar.
Alameda. Correria desenfreada para mudar de linha. Atropelos, cavalgadas escada acima. Deixos-os passar. Ignoro a pressa… – mentira. Também já fiz o mesmo, mas perdeu significado. Agora desvalorizo.
De novo o comboio. Linha verde. Rumo ao Campo Grande. Calor. Suor. Atrás, a mãe e o filho, que não se quer segurar e vai girando, numa dança que desafia as leis e o juízo.

Uma coisa de que gosto nos transportes públicos, é a riqueza de histórias e momentos, conversas, que registo com espírito jornalístico. Não porque faz falta ou serve o blog. Não. Faço-o pelo prazer de escrever estas histórias na minha cabeça. O blog é um veículo…. Mas dizia eu: os transportes públicos são um óptimo espaço para recolher apontamentos desta novela pitoresca, destes retratos do quotidiano – janela para momentos de que vive um contador de estórias.

De volta à mãe e ao filho, entre estações…
– “Mãe, o que quer dizer Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade?” – pergunta o petiz.
– “Foi quando o Homem foi à lua. Quer dizer que uma coisa boa para o Homem, é boa para todos” – explicou a mãe.
– “E como é que é bom para todos o Homem ter ido à lua?” – atirou a criança… Claro que a progenitora não soube responder. Obviamente. Nem eu sei. A verdade é que a imagem de desenvolvimento surge-nos como a resposta para todos os problemas, quer seja sob a forma de um novo sistema de comunicação, quer seja sob o aparecimento de um novo planeta no sistema solar. Este desenvolvimento parece sempre a salvação da Humanidade. Provavelmente isto está muito próximo do que chamam cientivísmo. Esta crença na ciência.
Mas continuando na lua… Há esta questão da veracidade da viagem do Homem à lua. Os EUA terão, alegadamente (é da praxe…), colocado dois astronautas lá no satélite e isso é bastante impressionante. Sobretudo numa altura em que a Guerra Fria andava cada vez mais quente, com os serviços sercretos e agentes de espionagem a não ter mãos para tanto “serviço”. Na competição entre a ex-USSR e os Estados Unidos, pelo desenvolvimento ciêntífico e influência mundial, os Estados Undos demarcaram-se claramente com o, considerado, feito do século… Bom, é óbvio que não estou a recusar acreditar que a mais longa viagem já mais feita pelo Homem seja verdade, mas confesso que me suscita algumas reservas. Não tanto por aqueles aspectos técnicos, da bandeira e não sei quê não sei que mais. Não. O que mais me perturba é a perfeição do momento. Um homem, na lua, coloca a bandeira norte-americana, em directo e, num improviso duvidoso, afirma tratar-se de Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade. A perfeição e orgulho patriótico, que mesmo os não-americanos sentiram, de certeza, fazem-me lembrar um daqueles filmes (de onde?...) em que os bons (esses que estão a pensar….) ganham sempre. Percebem?

It´s the good old American way!

terça-feira, novembro 04, 2008

Obrigado, Fernando Ribeiro (Moonspell)

Tenho o hábito mensal de comprar a Blitz, a Loud! e a Arte Sonora, três publicações sobre música - as únicas que encontro nas bancas em português (ando a prometer-me saber de algumas fanzines que ainda vão aparecendo por aí). Entre os vários motivos de interesse que encontro nestas revistas, está o The Eternal Spectator, uma coluna de opinião que tem espaço na Loud!, da autoria do Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, escritor, etc, etc.
Só que no mês passado, enquanto folheava a Loud!, deparei-me com a ausência da coluna. Após melhor pesquisa, li a nota de roda-pé que explicava o caso. Assim sendo: o Fernando Ribeiro, para além de ter gozado um período de férias, encontra-se neste momento em digressão com os (seus) Moonspell, na Blackest of the Black Tour, juntamente com Skeletonwitch, Dimmu Borgir, Winds of Plague e Danzing, que encabeça a tournê. A acrescentar, enquanto ouvia as Manhãs da Antena 3, ouvi um diário que o vocalista da banda portuguesa apresenta, com motivos de reportagem e com entrevistas a elementos da banda, músicos de outras bandas, ao chefe da equipa de segurança e a fãs.
E porquê tudo isto? Onde é que quero chegar? O que eu quero registar no meu blog é que "desculpo" o Fernando Ribeiro pelo facto de eu não lêr a crónica na Loud! há dois meses, porque prefiro vê-lo, como bom profissional que é, a desenvolver trabalho de relevância e interesse - quanto mais não seja, para puder depois desfrutar as histórias que eu (sei que) vou lêr na revista.
Gostava que o Fernando Ribeiro visse este blog, para eu puder dizer "obrigado Fernando. Obrigado por teres iniciativa. Por fazeres e arriscares, por acreditares no trabalho que desenvolves. Obrigado por animares as minhas manhãs (ainda que seja só agora), ao descreveres o périplo da banda portuguesa mais internacional de sempre pelos EUA. Obrigado pelas histórias que contas no Eternal Spectator e por ajudares a colocar o nome do nosso país lá fora. Obrigado".

quinta-feira, outubro 23, 2008

Cicerone

Ontem, quando ia apanhar o Metro, fui abordado por um tipo. Precisava de orientação para chegar ao Saldanha. Levei aqueles segundos que por norma levamos, ao ser abordados por estranhos, a concentrar-me no que ele dizia. Porque se expressava numa língua que não o português e porque todo ele soava a estrangeiro, puxei, da minha memória para a zona do meu cérebro que controla o vocabulário, o inglês que estudei durante muitos anos e tão poucas vezes tenho oportunidade de usar. Acabei por lhe dar "boleia" pelas várias linhas (porque ia fazer o mesmo percurso) e estivemos a trocar impressões pelo caminho. Perdidos numa língua que não era comum a nenhum de nós, encetamos uma conversa sobre culturas e sobre o nosso país.
Confesso que o facto de não usar há muito a língua inglesa, me fez perder a objectividade e muitas questões que podia ter colocado ficaram esquecidas e, portanto, sem resposta.
O sujeito, cujo nome não me lembrei de perguntar, é natural do Irão, residente na Finlândia, e encontra-se de férias em Portugal. Como é que um iraniano vai parar à Finlândia, era outra coisa que devia ter perguntado…
– “So, where´re you from?” –, perguntei, enquanto subíamos as escadas.
– “I´m from Iran” –, respondeu-me, com um sorriso nervoso.
– “Really? You´re quite far from home, aren´t you?” –, atirei.
– “Actually, I´m from Iran, but I live in Finland” – explicou-me.

Enquanto caminhavamos pelos corredores do Metro, fomos conversando sobre o que ele estava a achar do nosso país. Revelou-se muito satisfeito, porque, sendo de um país quente e estando actualmente num país onde faz muito frio, estava contente por puder gozar de temperaturas mais amenas. Por outro lado, aprecia também o espírito mais aberto da nossa gente. Estávamos num espaço público, movimentado, com toda a gente a falar uns com os outros. Aparentemente, na Finlândia, as pessoas são muito mais fechadas, pouco efusivas, pouco dadas – num espaço como aquele onde nos encontrávamos, reinaria o silêncio - lá por terras d´onde ele se encontra a viver.
Por fim, falámos da vaga de crime de que tanto se fala, que eu desvalorizei e até acusei ser alarmismo injustificado, porque Portugal ainda é um país onde se pode andar à vontade na rua. Ele concordou.
Acabei por chegar ao meu destino, apontei-lhe o restante caminho que ele devia percorrer e desejei-lhe uma boa estadia. – “Enjoy!” –.

Foi uma viagem de Metro diferente do habitual.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Rádio Imaginária

Novo post, desta feita, e como prometido, ao som da Rádio Imaginária.
Embora ainda esteja em construção, já vai sendo possível ouvir alguns dos meus temas preferidos enquanto vagueiam pelos meus textos. Ainda não está tudo como desejo, mas lá chegaremos.
Para além da música que selecciono, é possível ouvir algumas das bandas que têm inscrito o seu trabalho na página do Cotonete, no Saca-talentos, bandas à procura de uma oportunidade. Nunca é demais lembrar que este espaço apela a todos os que fazem e produzem trabalhos, os que arriscam.
Enjoy the music!

sexta-feira, outubro 17, 2008

Há vida e há blog

Há coisas a acontecer(-me a mim): na gaveta está um possível cover da banda ribatejana Slime Fingers. Depois de fazer uma versão acústica do tema "Contradiction", está na calha uma nova versão, desta feita da balada "Forget". Espero conseguir levar esta missão a bom porto, porque não desejo mais nada que respeitar o trabalho dos Slime Fingers, um dos projectos a seguir no panorama nacional mais underground (rumo à ribalta, claro!)
Ainda no campo da música, na página do 3535project, estará em breve um tema original, com a colaboração do Fernando, um bom amigo que me inspirou para esta composição com uma malha de guitarra demoníaca e tresloucada. Está em fase de acabamento.
Entretanto, o blog, que voltou ao activo recentemente, já vai conhecer uma inovação: está já em desenvolvimento a Rádio Imaginária, uma rádio em podcast, que pretende acompanhar os leitores deste humilde espaço bloguista, enquanto saboreiam as, muitas vezes, ácidas palavras que espremo.
Obrigado aos que me seguem nesta aventura.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Desconectividade

Andar pela rua descontraído,
sem querer saber de nada, banda sonora invisível.
É preferível.
Sons desagradáveis encobertos,
olhos bem abertos para só ver,
contemplar e imaginar.

Batimento cardíaco e contrabaixo,
por debaixo da bateria.
Maravilhado e encantado,
feel the swing,
eu sigo e sinto.

Descontraído e descomprometido,
o jazz a fazer sentido,
é tão bom ficar perdido –
Aqui que sei onde estou.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Alguém viu a minha escrita?

Ainda ontem por aqui estive e ela estava cá. Peguei-lhe e deixei-me levar, como costumo fazer quando o assombro me toma e me leva para outras paragens que desconheço e das quais não me lembro, porque quando regresso, paro, olho, escuto e nem me reconheço naquilo que lá ficou. Mas até olho com admiração, porque reconheço iluminação, à luz dos acontecimentos, naquilo, porque parece tudo tão acertado. Só que não me parece meu, só isso.
Agora, sinto é um receio, porque às vezes não a encontro – embora tenha já lembrado, noutros momentos, que a tenho sempre comigo. E fico logo alarmado, a copiar mapas para a minha mão, para comparar e achar. Eterna pesquisa.
Por isso é que eu pergunto: alguém a viu? Temo que ao verem-na não a reconheçam, porque não a conhecem de lado nenhum, ou desconfiam - como que tudo fruto do acaso. Juro que não é. Só não sei explicar de onde ela vem, estando muitas vezes eu, sentado ao luar, à espera que ela apareça, vinda não sei de onde.
Hoje por acaso achei-a… Ou será que foi ela que me achou?

Hiper-revolução

Todo eu sou raiva, todo eu sou zanga. Fervo afrontas e indignações, em chama acesa longe do lume brando; uma voz de comando que grita de dentro para fora, mas que sai e não sai, quer sair – revolta.
Que mundo este, de destruição, ebulição desnutrida de razão, imbuída de alienação, que ninguém parece querer ver; é ver para crer, é um eterno não querer saber que me fazem os dentes ranger, de raiva, salivando, de raiva, os punhos vou cerrando, de raiva.
Há quem enfrente tudo, de frente para tudo, com objectivos definidos, definitivos, às vezes exclusivamente primitivos. E agora permitimos? Isto? Esta desordem? Esta geração que cospe acidez provocada pelo excesso de tudo, sem nada que fazer? A minha raiva quer ceifar estas liberdades e colocadas na lavra da terra, arruma-los na acção e utilidade, acabar com a futilidade. Agora neguem o absurdo, porque às tantas não é só rebeldia, já é realidade vazia, desconectividade, como uma nova tecnologia que perdeu validade.
O problema foi criado, agora crie-se a solução.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Retrato do pensamento de uma pessoa que me conhece

Renegociar aquelas conversas passadas, momentos passados – tempo passado, passado à história.
Mandei-te aquele mail a perguntar o que era feito de ti, mas nunca obtive resposta. Pensaste em responder-me, mas eu nunca o soube, porque nunca o fizeste. Houve ainda um dia em que fui à janela e pareceu-me ter visto um esboçar de um sorriso, mas afinal era eu que me lembrava e condenava à saudade. Negligência e desinteresse; quero negociar contigo, para que de novo possamos celebrar a escrita.
Em dias de chuva tenho dito para mim mesmo que deves estar em casa a meditar, como fazias em textos que me dirigias, profícuos em enigmas e questões para as quais não obtinhas respostas e que eu lamentava nunca responder convenientemente, de maneira a saciar essa tua imaginação sedenta de tudo e contente com nada. Hoje estimulo a lembrança para encontrar a tua face num pensamento meu, e oiço as gargalhadas que eu imaginava que tu davas quando lias aquela doce ironia que eu tinha escrito, mas estás cada vez mais longe do ponto em que nos separámos – a imagem que eu guardo.
Se hoje nos cruzássemos seríamos estranhos que já se conhecem desde há muito tempo, num paradoxo impossível de ultrapassar, porque a barreira do tempo só é transposta se empurrada todos os dias. A dor física até a lembrança a esquece; a dor psicológica e saudade nunca passam, senão, com o poder do tempo, que tudo leva.
Onde é que vais estar amanhã?

terça-feira, outubro 07, 2008

"Another Way to Die"_novo tema de James Bond

É o primeiro dueto da saga 007 - "Another way to die", o novo tema do mais recente filme de James Bond, "Quantum of Solace". Alicia Keys e Jack White (White Stripes) numa fusão épica, com o tom clássico e aventuresco a que nos habituamos nas bandas-sonoras do agente secreto mais famoso do mundo.
O tema - que já estava disponível no YouTube - foi mandando retirar por alegado abuso dos direitos de autor. No entanto, já está de novo disponível online, desta feita na página da editora do líder dos White Stripes, a Third Man Records.
Para quem ainda não teve oportunidade de ouvir, aconselho a escuta, porque trata-se de um tema muito bom. O autor da música foi, pois claro, Jack White, que conseguiu incorporar no tema a marca James Bond, a belíssima voz de Alicia Keys, e o som distorcido e agressivo que imprime sempre nas suas composições - guitarra suja e a bateria seca, cozinhadas com sons de orquestra e um piano perturbador, forte, grave.

Quanto a Alicia Keys, afirmou o desejo de colaborar com White num próximo álbum, em nome próprio - quem não quereria?

Há vida depois do blog

O blog parou; tudo o resto manteve-se em constante avanço e evolução. Até noutros planos da vida, outras coisas surgiram, tal qual uma página do myspace e agora uma página de internet, que visa congregar as várias realidades que vou espalhando.
Mas aqui vou voltar a escrever; afinal há vida depois do blog.

domingo, setembro 16, 2007

E ao findar do dia...

Mais um copo de veneno, mais um tempero ameno. Estou sereno, escrevo ao ritmo frenético dos sons, dos tons... busco inspiração em coisas pequenas. Nada de sofrimentos, alheamentos, enfadamentos.
Entretanho-me a brincar com a escrita, como quem experimenta cores de uma paleta imaginária.
Hoje não tenho medo; amanhã talvez.
"Good night and good luck".

segunda-feira, setembro 03, 2007

Apontamento

O mundo move-se, com tédio, numa dinâmica contraditória, insatisfatória, desejo de evasão.
O mundo fede, fode, funde-se e finge que cada qual é como cada qual, que tal, com cada cabeça, uma moral. Mas somos todos da mesma massa; assim se passa.
São tudo expectativas, mapas, cartografia emocional, metas, merdas, margens - falhamos todas. O vazio é tão grande, que o espectro descreve um arco absurdo de complexidade, tantos aspectos, tantas opiniões. Mas o vazio é sempre vazio. Porque a dinâmica é imutável - nascer, crescer, morrer.

sábado, setembro 01, 2007

Crítica de uma crítica

A ignorância não tem tempo ou lugar, ela prolifera. Quando apanho o autocarro, ou quando espero na fila do super-mercado, sou confrontado com a dita (a ignorância). Grave é quando a ignorância se revela nas opiniões técnicas, por vezes pouco apuradas. Não está em causa o gosto de cada um. Antes, a inabilidade para discernir o preto do branco.
Não me quero dizer fã de Slime Fingers, mas sou um seguidor do trabalho da banda de Torres Novas e confesso que considerei hilariante a crítica a que foram sujeitos - no texto referente ao concerto que decorreu na Meia Via, no dia 5 de Maio. Será possível errar tanto?
Vejamos; que a voz revela problemas é bastante óbvio, mas sejamos honestos e lúcidos para perceber que a única falha em termos de vocalizações se prende com uma falta de grandeza, a grandeza que a instrumentalização representa. O frontman dos Slime Fingers não arranha por caminhos indevidos, porque embora revele uma certa inabilidade para cumprir uma boa prestação, revela também uma clara noção de melodia e de encaixe, de perfeição formal – talvez falte a atitude de um frontman, um lead singer, que não alguém que se esconde atrás da guitarra.
Agora, o que eu não entendo é a perspectiva sobre o instrumental. Onde raio está a influência nu metal que é referida? Será que o peso da guitarra hoje é dia é princípio para a conotação com a sonoridade nu metal? Fui à wikipedia tentar perceber melhor o fenómeno do nu metal/nü metal/new metal (em português, metal novo). “Ausência marcada de solos de
guitarra e outros resquícios de virtuosismos típicos do Heavy metal.
Constante variação entre vocal “choroso” (
Korn, Limp Bizkit) ou suspirado (Deftones) e vocal “gritado”, raivoso ou as vezes Melódico (Incubus, Sevendust e Linkin Park).
Alguma influência da
Música electrónica, adquirida do Metal industrial e variações britânicas do Breakbeat, como é o caso do Jungle e do Drum n’ Bass.
Uso de
DJ, principalmente para accionar os samples e para efeitos de "scratch e Turntables".
Uso variado de instrumentos diferentes, tornando cada banda única por seus diferenciais.” ...perdoem-me a ironia, mas estamos claramente perante uma banda com grandes influências nu metal... a começar pela ausência de solos com que os Slime Fingers nos brindam.
Depois não entendo a antítse, a contradição de ideias, o disparate: a banda tem potencial ao nível do instrumental, mas ao mesmo tempo não sabem que rumo tomar? Uma banda sem rumo não tem potencial, tem contas a fazer e ideias a explanar. É do senso comum e do bom senso – é preciso ter rumos definidos quando se compõe metal progressivo, ou há o risco de divagação, contradição, disparate. O mesmo princípio aplica-se aos textos jornalísticos.
Sobre a atitude punk, referida como dispensável, faz parte de uma abordagem que considero inteligente por parte da banda. O Metal progressivo não prima pela interacção com o público ou grandes estados de extase em palco. É preciso saber digerir esta sub-categoria do metal e é preciso gostar muito, ou torna-se aborrecido – é muito técnica. Trata-se de uma nuance estilística, não um problema de qualidade.
Depois de ler a crítica "fiquei-me" a contemplar o remate: “a banda de Torres Novas necessita de bastante trabalho”. Curiosamente, concordo. É preciso é que também quem escreve se dê ao trabalho, não se fique pela crítica fácil.

domingo, junho 03, 2007

Teia

É a teia. É a vida. São o bom e o mau que se espraiam em desconexas agonias. Não percebemos que depois do bom vem o mau e que depois do mau vem o bom. Tudo é bom, tudo é mau. Não relacionamos os pontos da vida que vamos encerrando em episódios; assumimos que "foram fases". Vivemos episodicamente, sem legendas e de forma omnipresente - personagens principais que desconhecem o que se passa na outra sala do labirinto. São teias, são enredos, somos personagens planas, se num vislumbre sobre o vale do passado.

Simples


Reflexo do poço intelectual azul, onde escondo emoções contidas, onde guardo coisas que não sei o quê. São estados vazios que segregam seiva de ternura, ou raiva, ou graça, ou alegria. São como imagens a preto e branco, que nada escondem, mas que contêm magia e duplo significado, um estado artístico. É a beleza que a vida nos oferece, juntamente com a intelectualização e o romantismo poético que o Homem (e a Mulher...) saborea como mais animal algum. É a arte.

Coisas simples


Tudo bem

O dia de ontem já se vai esbatendo na minha memória; agora, que finda o dia de hoje, agora, que perco dois segundos a pensar que amanhã será um novo dia. Fico, espectante, a pensar que amanhã pode acontecer muita coisa. Uma nova realidade, novas horas, minutos nunca vividos e que nunca se repetirão. É isso que acontece com o futuro: aguarda-se, com expectativa ou espírito de inevitabilidade, e vive-se, para depois ver tudo passar para o passado, passar à História, soma das estórias pessoais, mescla colectiva. É bonito pensar nisto, se formos aconselhados pela paz de espírito, pelo "calmo improviso do poente" e pela calma de viver. Sem angústias. Sem pressa ou sentimento de perda. É esta a nossa vida.